O ministro da Economia, António Pires de Lima, apelou hoje aos empresários para que invistam em Portugal, permitindo reduzir a taxa de desemprego, e para que valorizem os trabalhadores, ao partilharem a rentabilidade das empresas com os colaboradores.

O ministro falava aos jornalistas à margem do almoço de empresários organizado pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, que decorreu hoje em Lisboa.

Pires de Lima, que tinha destacado que a «trilogia de

sucesso que Portugal quer agarrar» assenta nas «exportações, consumo privado e investimento», disse que a atração do investimento privado permitirá baixar o desemprego em Portugal.

«Apelo aos empresários para investirem em Portugal porque a única forma de criar emprego é investindo», afirmou o governante, destacando a necessidade de haver uma «valorização das pessoas».

Por isso, o ministro defendeu que em «setores que recuperaram economicamente e que são apresentados como campeões desta viragem económica», seja possível «partilhar os crescimentos de rentabilidade dessas empresas com os colaboradores», lembrando que o Governo «também já deu um sinal», depois do primeiro-ministro ter anunciado «que estava em condições para discutir o tema da atualização do salário mínimo nacional».

No seu discurso, no âmbito do almoço, António Pires de Lima tinha lamentado a taxa de desemprego de 15,3% em Portugal.

«A maior ajuda, o maior serviço à pátria que os empresários podem fazer é acreditar em Portugal e investir», disse na sua intervenção, apontando que o desemprego «é a maior chaga social».

O Governante defendeu ainda que «nos casos em que existam setores que estejam já a sentir a viragem económica», seria «especialmente importante que essa rentabilidade seja partilhada com aqueles que trabalham nesses setores e nessas empresas».

Sobre o salário mínimo, Pires de Lima lembrou que sempre defendeu a sua atualização, mas explicou que, como «soldado disciplinado», não cabia ao ministro introduzir o tema, manifestando-se «muito feliz» por agora o assunto ser discutido.

«Não me compete liderar o processo» na concertação social, «para mim, o que é importante é que existam condições para discutir o tema», disse.

Sobre os dados das exportações do trimestre, hoje divulgadas, Pires de Lima afirmou que «estão a crescer» e desvalorizou a quebra registada em fevereiro face ao mês anterior.

«A recuperação económica depende do sucesso das empresas, mas a minha maior preocupação não tem tanto a ver com a confirmação do crescimento económico», isto porque «acho que até vai ficar acima» do esperado, mas que a recuperação «comece a ter repercussões nos bolsos das pessoas, isso é importante como elemento de justiça e de coesão social».