O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, admitiu que aquela confederação sindical voltará a ficar de fora do acordo sobre o salário mínimo nacional (SMN) se o valor em cima da mesa rondar os 522 euros.

"Então justifica-se que o aumento do SMN seja de 17 euros, que é o que alguns estão a sugerir? Não faz sentido, não passa pela cabeça de ninguém (…). 522 euros é muito curto, muito curto, não dá para lá chegar [ao acordo]", referiu Arménio Carlos em Vila Nova de Famalicão, durante uma jornada de greve dos trabalhadores dos Transportes Nogueira.

Na quinta-feira, o secretário-geral da União Geral de Trabalhadores (UGT), Carlos Silva, adiantou que aquela confederação sindical irá propor a subida do SMN para um valor "à volta" de 522 euros.

Arménio Carlos disse hoje que 522 euros "é um valor insuficiente" e manifestou-se convencido de que "nenhum partido" que se candidate às eleições apresentará um valor dessa natureza, "porque não é credível” e “está muito aquém do que seria desejável".

"Quem é que, neste país, não tem condições para, no mínimo, avançar com um aumento diário de um euro? Qual é a empresa que não tem, por mais pequenina que seja? Quanto custa um café? Quanto custa um chá? Quanto custa um galão? Não é possível aumentar os trabalhadores num euro por dia, 30 euros por mês?", questionou.

O líder da CGTP acentuou que, se se fizer as contas à evolução do SMN desde 1974, ano em que foi criado, até hoje, "só com a introdução da inflação" o valor seria, neste momento, de 585 euros.

Reiterou que a proposta da CGTP apontava para um SMN de 540 euros a partir de janeiro deste ano e de 600 euros no próximo ano.

A 01 de outubro de 2014, o SMN passou dos 485 euros para os 505 euros, depois de estar congelado desde 2011.

O aumento, que vigorará até final de 2015, abrangeu cerca de meio milhão de trabalhadores e decorreu de um acordo estabelecido entre o Governo, as confederações patronais e a UGT, deixando de fora a CGTP, que considerou insuficiente o valor de 505 euros.