A decisão da Euronext de retirar o BPI do PSI20 teve efeitos a partir desta sexta-feira. Agora já fora do principal índice, o banco negoceia no PSI Geral a recuperar mais de 6,5% para 98 cêntimos.

Entretanto, pelas 09:26, a recuperação aligeirou, para 2,6%, com cada ação a valer pouco acima de 94 cêntimos. Um valor bem abaixo dos 1,334 euros oferecidos na OPA do CaixaBank, que foi bem sucedida.

O BPI despediu-se do PSI20 a derrapar 12,38% para 92 cêntimos, mas durante a sessão chegou a afundar mais de 25%.

Contas feitas, até agora, o BPI perdeu cerca de 15% da sua capitalização em bolsa em comparação com o ano passado.

Embora o CaixaBank mantivesse a "intenção" de o BPI continuar cotado no índice de referência da bolsa de Lisboa, a decisão cabia à Euronex, que decidiu o contrário.

A Euronext comunica que, na sequência dos resultados alcançados na Oferta Pública de Aquisição do CaixaBank sobre o BPI, e face à informação disponível à data, foi decidida a exclusão das acções do Banco BPI do índice PSI 20, com data efetiva a 10 de fevereiro”

Uma decisão tomada na sequência da OPA que o CaixaBank lançou sobre o banco português, e que foi concluída com sucesso: o grupo catalão passou a deter 84,5% do capital, estando os restantes 15% dispersos entre a Allianz, que manteve a sua posição de 8,43% e outros acionistas minoritários.

Ora, a negociação de ações em bolsa seria muito mais diminuta, se o banco permanecesse no PSI20. Tirando a percentagem detida pela Allians, só cerca de 7% do capital estaria disponível para a troca de mãos entre os investidores.

Com esta mudança, o PSI20 tem agora apenas 17 cotadas até à próxima revisão, marcada para o dia 20 de março. 

Há 34 anos no BPI, os últimos 13 como CEO, Fernando Ulrich deixa agora a liderança executiva do banco. Para o lugar de CEO vai um espanhol, Pablo Forero, atual diretor-geral do CaixaBank. Ulrich passará a chairman.

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O setor da banca é agora representado no PSI20 apenas pelo Montepio e pelo Millennium BCP, que também tem estado em foco na bolsa nacional. Ontem a sessão de fortes quedas, acima de 6%, embora tenha fechado a valorizar muito ligeiramente.

Na sessão desta sexta-feira, o banco liderado por Nuno Amado despertou a perder cerca de 0,7% para 0,15 euros. Algo encarado como "normal" pelo banco, aqui citado pelo Jornal de Negócios, porque durante o processo de aumento de capital houve quem conseguisse comprar ações mais baratas e está agora a realizar mais-valias. É expectável que a volatilidade possa durar mais uns dias.

O desempenho em bolsa não está, por isso, a refletir o facto de o BCP ter pago, logo ontem, os 700 milhões de euros que ainda devia ao Estado, decorrentes do empréstimo de 2012. Era uma promessa do aumento de capital: foi cumprida.

O PSI20 está na linha de água, a pender para terreno positivo. A Europa amanheceu positiva, à exceção da praça de Milão. Itália aguarda hoje uma decisão da Moody's sobre o seu rating.

Nota da Redação: Por lapso, a notícia inicial referia que o BPI estava, ainda, a negociar no PSI20 esta sexta-feira.