O prospeto da emissão obrigacionista da SAD do Sporting não deverá ser aprovado enquanto se mantiver a instabilidade em torno do clube, noticia o Negócios.

Uma consequência da crise que se vive no clube, com impacto nos planos de avançar com uma emissão obrigacionista de 15 milhões de euros, como já tinha sido aprovado em assembleia-geral.

No dia 19 de maio, os obrigacionistas aceitaram passar o reembolso das obrigações que detêm, de 25 de maio, quando venceriam, para 26 de novembro.

Mas a SAD poderia à mesma avançar com a emissão prevista de 15 milhões a uma taxa de juro de 6% ou opta por esperar até que o clube saísse da crise profunda em que está mergulhado. Acabou por escolher a primeira opção, mas, segundo o Negócios, regulador vem agora dizer que, para já, não aprova o prospeto da emissão, sem mais esclarecimentos que já foram pedidos à SAD do Sporting.

Em comunicado às redações a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários diz que “a emissão do empréstimo obrigacionista encontra-se sujeito a autorização prévia da CMVM que implica também a aprovação de um prospeto. O emitente já entregou uma proposta de prospeto na CMVM."

E acrescenta que, entretanto foram pedidos esclarecimentos adicionais sobre o mesmo à SAD do Sporting. "É normal que o processo conducente á aprovação de um prospeto conheça várias interações entre a CMVM e os emitentes, no caso em apreço convém ter em conta que têm ocorrido quase diariamente desenvolvimentos informativos em torno da sociedade emitente.”

Bruno de Carvalho responsabiliza Marta Soares por problema com emissão obrigacionista

O presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, admitiu hoje “um problema” com a emissão obrigacionista prevista pela SAD do clube, responsabilizando o presidente demissionário da Mesa da Assembleia Geral pela situação.

“É lógico que temos um problema, as pessoas vão ser responsabilizadas por este problema, mas cá estaremos para o resolver”, afirmou o presidente do clube, em conferência de imprensa, acrescentando que “a responsabilidade de esta operação estar parada deve-se a Jaime Marta Soares”.

A crise no Sporting iniciou-se em 15 de maio, quando cerca de 40 pessoas encapuzadas invadiram a Academia do Sporting, em Alcochete, e agrediram alguns futebolistas e elementos da equipa técnica, com a GNR a deter 23 dos atacantes, que ficaram em prisão preventiva.

Na sequência destes incidentes, os futebolistas Rui Patrício e Daniel Podence apresentaram a rescisão por justa causa, enquanto o treinador Jorge Jesus rescindiu por mútuo acordo para assinar pelos árabes do Al Hilal.

No âmbito de uma investigação do Ministério Público sobre alegados atos de tentativa de viciação de resultados em jogos de andebol e futebol, tendo como objetivo o favorecimento do Sporting, foram constituídos sete arguidos, incluindo o 'team manager' do clube, André Geraldes.

Na sequência destes acontecimentos, a maioria dos membros da Mesa da Assembleia Geral (MAG) e do Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD) e parte da direção apresentaram a sua demissão, defendendo que o presidente Bruno de Carvalho não tinha condições para permanecer no cargo.

Após duas reuniões dos órgãos sociais, o presidente da MAG, Jaime Marta Soares, marcou uma Assembleia Geral para votar a destituição do Conselho Diretivo (CD), agendada para 23 de junho, tendo ainda sido criada uma comissão de fiscalização para o CFD.

O CD do Sporting decidiu substituir a MAG e respetivo presidente através da criação de uma comissão transitória da MAG, que, por sua vez, convocou uma Assembleia Geral Ordinária para o dia 17 de junho, para aprovação do Orçamento da época 2018/19, análise da situação do clube e para esclarecimento aos sócios e convocar uma Assembleia Geral Eleitoral para a MAG e para o CFD para o dia 21 de julho.