A Standard & Poor's subiu de "estável" para "positiva" a perspetiva do 'rating' (notação) da dívida pública portuguesa e manteve a nota em BBB-, anunciou a agência num comunicado divulgado esta noite.

Esperamos que a economia portuguesa cresça perto de 2% por ano até 2021, com o défice orçamental a melhorar até 0,4% do Produto Interno Bruto [PIB] em 2020, de 0,7% este ano", afirma a agência S&P.

Segundo o texto da agência de ‘rating’, esta melhoria vai ser aferida pelo desendividamento público e privado, bem como pela melhoria na estabilidade financeira.

Podemos melhorar o nosso ‘rating’ de Portugal se a economia continuar o desalavancar (desendividar-se) externamente ao ritmo atual de (equivalente a) 3%-5% do Produto Interno Bruto”, detalhou o texto.

Este processo “iria reduzir o ‘stock’ ainda elevado do endividamento externo do país”, especificou.

Outra condição para a S&P considerar melhorar a nota portuguesa seria a “convergência das condições de crédito em Portugal com a média da zona euro, o que melhoraria a transmissão da política monetária do Banco Central Europeu”.

Em particular, a S&P destacou a importância que dá aos custos de financiamento e os ainda elevados níveis de crédito malparado no sistema bancário.

"Enorme esforço com sucesso"

O ministro das Finanças, Mário Centeno, considerou entretanto que a subida da perspetiva do ‘rating’ da dívida portuguesa, pela agência Standard & Poor's, reflete o sucesso das medidas aplicadas durante a atual legislatura.

Esta notícia vem no conjunto de outras avaliações que diferentes instituições têm feito sobre o desenvolvimento da economia, das finanças públicas, do sistema financeiro em Portugal. São o resultado de um conjunto de políticas que nos propusemos implementar ao longo da legislatura (…). Um enorme esforço com sucesso assinalado pela Standard & Poor's”, disse Mário Centeno aos jornalistas.

De acordo com o também presidente do Eurogrupo, as políticas aplicadas durante a legislatura “permitiram um esforço de consolidação muito responsável” para o equilíbrio das contas públicas e para melhores serviços públicos.

Com o aumento da despesa da saúde, que no conjunto da legislatura ficará próximo de 1.200 milhões de euros acima do final da legislatura anterior, [registou-se uma subida] nos recursos humanos para mais oito mil trabalhadores. Também na educação, o número de profissionais aumentou, com mais 10.000 [funcionários], dos quais 6.800 professores”, indicou.

O titular da pasta das Finanças referiu ainda que, nos últimos anos, a despesa em juros do Estado reduziu-se em 1.400 milhões de euros, que podem ser alocados “às necessidades mais importantes da administração pública e do serviço público”.

Mário Centeno assinalou também que, em pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB), a redução atingiu 1,6, número que classificou como “muito significativo”.

Isto permite que o país atinja esta fase de recuperação económica com as contas públicas equilibradas e com [uma] visibilidade no financiamento e na economia muito significativa, que orgulha todos os portugueses”, concluiu.