A Standard and Poors anunciou esta quinta-feira que deteta sinais que antecipam uma lenta saída da crise na zona euro e pediu ao Banco Central Europeu para fomentar a recuperação com «medidas não convencionais adicionais» para evitar riscos deflacionistas.

Com uma inflação homóloga em outubro de 0,7%, longe do objetivo de 2% do BCE, a agência de rating S&P adverte, num relatório divulgado esta quinta-feira, que existe o risco de deflação na zona euro que pode atingir as economias mais frágeis.

«A desaceleração da inflação combinada com um crescimento económico anémico faz planar o espetro da deflação, uma doença que atinge o Japão há mais de 15 anos», indica a S&P no relatório com o título «Os rebentos verdes vão precisar de muita água».

Entre as medidas que recomenda ao BCE para evitar uma situação de deflação, a S&P destaca «novas operações de refinanciamento a longo prazo com vencimento a longo prazo, dado que o excesso de liquidez na zona euro continua a ser muito baixo», com a condição de que os bancos utilizem o dinheiro para financiar o crédito e não para adquirir títulos de dívidas soberanas.

Esta condição é semelhante à aplicada pelo Banco de Inglaterra em julho de 2012, recorda a S&P.

Outra medida passaria pela compra pelo BCE de ativos dos bancos para que estes reforçassem os balanços, ainda que a S&P advirta que esta iniciativa parece pouco provável.

«Seja o que for, na nossa opinião o BCE terá que desempenhar um papel de jardineiro paciente e regar esses rebentos verdes que emergiram na zona euro», sublinha.

A S&P prevê que a economia da União Europeia (EU) se contraia 0,6% em 2013 e se expanda 0,9% em 2014, liderada essencialmente pela Alemanha, que crescerá 0,5% este ano e 1,8% em 2014.

Portanto, a recuperação na zona euro antecipa-se «longa e árdua», adianta a agência.

«Em geral, o setor privado na maioria dos países continua em modo estagnado», refere o relatório, adiantando que a redução da dívida privada é precisamente uma das diferenças «cruciais» entre a «visível» recuperação da economia norte-americana e a tímida atividade na zona euro.

A S&P também sublinha que o fortalecimento da moeda única, que se troca acima dos 1,37 dólares e continua a valorizar-se, é «paradoxal» porque um euro forte prejudica países como a França, Espanha, Itália e Portugal, numa síntese da Lusa.