A Portway vai despedir cerca de 200 trabalhadores, culpando a Ryanair pela necessidade de reestruturação. Em comunicado, a empresa "lamenta profundamente que a Ryanair tenha decidido descontinuar os nossos serviços de handling nos aeroportos de Faro, Porto e Lisboa". 

"Por esse motivo, a Portway não pode deixar de proceder a um reajustamento para continuar a ser uma companhia eficiente, competitiva e sustentável, garantindo a segurança dos postos de trabalho à enorme maioria dos seus 2165 colaboradores".

Alegando que a decisão da companhia aérea de baixo custo provoca uma redução de cerca de 33% da atividade, a empresa de handling afirma que reduzirá ao "mínimo indispensável a restruturação a implementar em termos de redução de postos de trabalho".

As balizas são 8% a 10% dos trabalhadores, isto é, mais de 250 pessoas e, avisa, "caso seja possível garantir a conversão a tempo parcial de um conjunto determinado de postos de trabalho". O despedimento coletivo abrangerá ao certo 257 trabalhadores, especificou em conferência de imprensa o presidente da Portway.

Jorge Ponce de Leão adiantou  que foi estimada a necessidade de suprimir 210 postos de trabalho. Como a empresa considera como posto de trabalho um horário laboral completo, isso faz com que os 257 trabalhadores a tempo inteiro e tempo parcial correspondam a 210 postos de trabalho. É que há muitos funcionários com contratos parciais.

Será dada, segundo o mesmo responsável, a possibilidade de os trabalhadores continuarem a trabalhar na empresa mas em regime de tempo parcial e que foi ainda firmado um acordo com a Ryanair para que esses funcionários tenham prioridade na entrada na companhia irlandesa.

"Decidimos ainda utilizar a capacidade negocial gerada no processo de resolução da relação comercial com a Ryanair, não para otimizar as margens de exploração, mas sim para garantir aos trabalhadores da Portway prioridade no processo de admissão a efetuar por esta empresa no Porto e Lisboa", lê-se ainda no mesmo comunicado.

Quanto aos trabalhadores de Faro que não sejam admitidos na Ryanair "poderão vir a ser integrados numa bolsa de recrutamento para complementar a necessidade de mão-de-obra nas épocas de maior tráfego aéreo, e naturalmente para preencher as vagas geradas pelo crescimento de atividade esperada para os próximos anos".

Adianta ainda o mesmo comunicado que quem não tenha na Ryanair uma solução "a compensação atribuída, as garantias sociais e a possibilidade de contratação a termo pela própria Portway permitirá aos colaboradores abrangidos um rendimento disponível pelo período de 3 a 4 anos semelhante ao que aufeririam se não ocorresse o presente processo".