A Ucrânia assegurou esta quarta-feira que não vai desviar gás russo destinado à Europa em troca do reenvio para o país de parte desse gás, para fazer face ao corte de fornecimento decretado pela Rússia a 16 de junho.

«De momento, não temos problemas no fornecimento à Europa», disse o comissário europeu da Energia, Günter Oettinger, após um encontro em Bruxelas com o ministro da Energia ucraniano, Iuri Prodan.

O ministro ucraniano confirmou, sublinhando que a ausência de problemas no fornecimento à Europa demonstra que a Ucrânia é «um parceiro real» da União Europeia (UE) e convidando Bruxelas a enviar inspetores para estar em condições de responder a qualquer queixa russa de retenções de gás pela Ucrânia.

Em contrapartida, a Ucrânia está a tratar da ativação do chamado «fluxo inverso», que permite que o gás circule em duas direções nos gasodutos, tornando possível transferir para a Ucrânia gás russo comprado por países europeus.

Esta prática, que a Rússia considera ilegítima mas a UE insiste ser perfeitamente legal, permite revender o gás russo à Ucrânia a um preço mais baixo que os 385 dólares por mil metros cúbicos exigidos por Moscovo a Kiev.

«Temos a ambição comum de abastecer os armazéns ucranianos com o que for possível, até aos 20.000 milhões de metros cúbicos de gás, para estarem prontos para um longo e intenso inverno 2014-2015», disse o comissário europeu.

Oettinger adiantou que a Ucrânia está em negociações para determinar a que companhias europeias pode comprar gás e a que preço, precisando que, no caso da Eslováquia, pode tomar uma decisão em finais de junho e, nos casos da Polónia e Hungria, mais tarde.

O ministro ucraniano indicou, por seu lado, que espera poder avançar nas negociações para ativar o fluxo inverso da Eslováquia a partir de 01 de outubro.

O comissário disse ainda que os contactos com a Ucrânia vão prosseguir na próxima semana e que prevê contactar também a Rússia para organizar uma reunião a três antes do período de verão para tentar chegar a um compromisso ou a uma solução temporária.

A Rússia e a Ucrânia mantêm uma disputa em relação ao preço do gás desde a deposição do presidente ucraniano Viktor Ianukovich, considerado pró-russo, em fevereiro.

Moscovo exige o pagamento de 4.500 milhões de dólares (3.300 milhões de euros) de contas em atraso, enquanto a Ucrânia exige a devolução de 6.000 milhões de dólares (4.400 milhões de euros) de «faturação abusiva».

A UE, por seu lado, tem uma elevada dependência do gás russo, comprando à Gazprom 39% do que consome, metade do qual chega à Europa em gasodutos que atravessam o território da Ucrânia.