O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou esta quinta-feira que o governo tem que adotar medidas adicionais para garantir a estabilidade económica.

«Tem havido resultados mas o governo precisa adotar outras medidas», disse Putin na habitual conferência de imprensa de fim de ano, acrescentando que o banco central não é a única entidade responsável pela situação económica.

O presidente russo avisa ainda ainda que, perante um cenário económico mais desfavorável, a atual crise poderá prolongar-se por cerca de dois anos.

«Esta situação pode durar dois anos no cenário económico externo mais desfavorável», alertou o governante.

O chefe do Kremlin assegurou que a saída da crise e o posterior crescimento económico da Rússia «são inevitáveis» e poderão inclusivamente começar em menos de dois anos, sublinhando que apesar de a economia mundial mostrar sinais de abrandamento, a expansão económica «vai manter-se com toda a segurança».

A conjuntura económica «vai mudar e com o crescimento da economia mundial vão ser precisos recursos energéticos adicionais», disse Putin, rejeitando também a possibilidade de o preço do petróleo continuar a descer.

Ajuda chinesa ao país

A degradação da situação económica na Rússia, nomeadamente a desvalorização da moeda face ao dólar e as consequências da queda do preço do petróleo nas finanças públicas levaram já a China a oferecer ajuda a Moscovo.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China disse hoje, na sua habitual conferência de imprensa diária, que «as economias são altamente complementares e têm potencial suficiente para a cooperação» e acrescentou que «ambos os governos e as empresas dos dois países têm grande esperança de que haja cooperação e estão entusiasmadas a esse respeito».

A China é o segundo maior parceiro comercial da Rússia, a seguir à União Europeia, com trocas comerciais no valor de 63 mil milhões de euros, além de ser um importante aliado diplomático.
 
Ministro admite não ter plano estratégico

Esta manhã, o ministro da Economia da Rússia admitiu não ter um plano estratégico para ultrapassar a crise monetária que o país vive, assumindo que as respostas aos desafios do momento são «reativas», de cariz tático. 

«Temos muitos planos para substituir as importações e para projetos prioritários e tudo isto é útil, mas a reação é tática», reconheceu Alexei Ulyukayev, numa entrevista publicada hoje pelo jornal Vedomosti. 

Segundo o titular da pasta da Economia, o Governo russo deverá «mudar a situação no tabuleiro de xadrez, caso contrário haverá um movimento descendente em espiral e repetir-se-á, uma e outra vez, a anterior posição das figuras». 

«Cortar o orçamento em 10% não é um plano», advertiu o ministro, aludindo às propostas formuladas nesse sentido pelo Ministério das Finanças. 

Esta quinta-feira foi marcada por um arranque positivo nos mercados acionistas, incluindo a bolsa de Moscovo. Também ao nível cambial o rublo seguia em alta, a recuperar de fortes quedas.