Para o presidente da Câmara do Porto, a decisão da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) de "chumbar" a privatização de 61% da TAP, submetida pelo anterior executivo, “dá razão” à autarquia quando refere que a operação da TAP é estratégica.

Em reunião do executivo, Rui Moreira garantiu que sempre que alguém “voltar a fazer uma maldade ao Porto” voltará a fazer ouvir a sua voz.

O presidente da Câmara tem criticado a estratégia da TAP para o Porto, acusando-a de ter em curso uma estratégia para “destruir o aeroporto Francisco Sá Carneiro”, com vista a construir em Lisboa “um novo aeroporto e uma nova ponte”.

Na sexta-feira, em comunicado, a ANAC admitiu que existem “fundados indícios de desconformidade” das regras europeias na venda de 61% da TAP à Gateway, o que justifica medidas destinadas a impedir decisões de gestão extraordinária.

Rui Moreira revelou também ao executivo que o primeiro-ministro, António Costa, não o tranquilizou na reunião que tiveram, em que a supressão de rotas de médio curso da TAP de e para o aeroporto do Porto esteve em cima da mesa.

“Não me tranquilizou. Ficou claro que o Governo com a reversão parcial pode controlar rotas estratégicas, mas não percebo como sem controlar a comissão executiva. Mas quero acreditar que o fará”, disse Moreira.

Já sobre a reunião que teve na semana passada, no Porto, com Humberto Pedrosa, do consórcio Gateway, Rui Moreira apenas referiu que “serviu para perceber melhor a razão dos cancelamentos [dos voos para Milão, Roma, Barcelona e Bruxelas], mas nada foi esclarecido”.

Rui Moreira disse ainda que, “mesmo sabendo que a luta poderia ter acabado apenas com pequenas vitórias”, não está “nada arrependido” da posição que assumiu em defesa do Porto e da região.

“E não venham dizer que vim tratar deste assunto por questões eleitoralistas. É o contrário, a melhor forma de ganhar eleições é assobiar para o lado e dizer... que chatice”, sublinhou.

O autarca reiterou que a Câmara do Porto “não paga e nunca pagou a nenhuma companhia aérea”, afirmando que os incentivos que existiram, por parte do Turismo de Portugal, relativamente a novas rotas "aplicavam-se a todas as companhias aéreas e aeroportos, incluindo o de Lisboa”.

“Nós temos toda a razão e não podemos ter medo de falar à moda do Porto”, frisou Moreira.

Autarquia aprova voto de insatisfação à concentração da TAP em Lisboa

A Câmara do Porto aprovou esta terça-feira, com o voto contra da CDU, manifestar “insatisfação” ao primeiro-ministro pelo facto de a TAP estar “a concentrar cada vez mais a sua operação em Lisboa”.

A proposta foi apresentada pelo PSD em reunião do executivo, tendo o vereador social-democrata Ricardo Almeida apelado a uma união de todos os eleitos na aprovação de uma proposta. Contudo, tal não foi possível, tendo o vereador da CDU, Pedro Carvalho, entendido que o texto não fazia uma exigência clara ao Governo.

No texto aprovado, que sofreu uma alteração com a eliminação do pedido ao Governo “da total divulgação dos termos do acordo de recompra de 11% da TAP, celebrado a 06 de fevereiro”, a autarquia requere “ao Governo que clarifique o que entende significar na prática a manutenção no aeroporto Sá carneiro de uma operação aeroportuária relevante por parte da TAP, no contexto das opções estratégicas desta companhia aérea”.

A Câmara vai também solicitar junto de António Costa “que exerça as apropriadas e justificadas opções políticas junto de uma empresa com 50% de capitais públicos, de forma a que a TAP possa também crescer através do Aeroporto Sá Carneiro, dando assim apoio ao desenvolvimento económico sustentado da região Norte”, “a zona do país que mais exporta bens transacionáveis”.