O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, acusou esta quarta-feira o ministro do Planeamento de "penalizar a imagem" do Governo na questão da TAP, segundo uma carta dirigida pelo autarca ao primeiro-ministro, a que a Lusa teve acesso.

"É possível, senhor primeiro-ministro, que, como diz o senhor ministro, a Câmara do Porto penalize a imagem da companhia. É certo, senhor primeiro-ministro, que o senhor ministro, que terá ‘perdido o Norte’, penaliza a imagem do seu Governo", conclui o autarca, referindo-se a uma entrevista de Pedro Marques ao Jornal de Negócios.

Na missiva dirigida a António Costa, Moreira destaca ainda que o ministro Pedro Marques "não diz a verdade" sobre os voos da TAP no Porto porque "o Governo não assegurou, no quadro de negociação com os privados [para a reversão da privatização da empresa], a existência de uma base relevante no Porto".

Segundo a entrevista publicada no Jornal de Negócios, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas considera que a "animosidade da Câmara do Porto penaliza a imagem da TAP".

"Em concreto, verifica-se que, no discurso público, o Governo se coloca ao lado da TAP e contra a Câmara do Porto", reagiu o autarca na carta enviada ao primeiro-ministro, onde diz que o ministro "não diz a verdade" sobre os voos da TAP no Porto, porque, lamenta, "o Governo não assegurou, no quadro de negociação com os privados [para a reversão da privatização da empresa], a existência de uma base relevante no Porto".

Sublinha ainda o autarca que, depois da reversão, a transportadora aérea voltou a reduzir a operação no Porto, ou seja, reduziu mais de 500 mil lugares anuais nos seus voos e 74 voos internacionais por semana.

"É possível, senhor primeiro-ministro, que, como diz o senhor ministro, a Câmara do Porto penalize a imagem da companhia. Esse é o preço que a companhia paga por ter abandonado o Norte, ou, se quiser, por ter ‘perdido o Norte’. Também a companhia tem penalizado o Norte: a sua imagem e a sua economia", insistiu.

Polémica em crescendo

Nos últimos meses, Rui Moreira tem criticado a estratégia da TAP para o Porto e admitiu "apelar ao boicote da região" à transportadora, acusando-a de ter em curso uma estratégia para "destruir o aeroporto Francisco Sá Carneiro" e construir, em Lisboa, "um novo aeroporto e uma nova ponte".

A "guerra séria" que Moreira disse ter em curso contra a TAP deve-se, em parte, à suspensão de quatro rotas europeias que a empresa diz representarem um prejuízo de 8,02 milhões de euros, ao passo que a autarquia do Porto garante terem uma "ocupação média de 90%", representando "o transporte de perto de 190 mil passageiros, em 1.867 voos de ida e volta".

Segundo o acordo estabelecido pelo Governo de António Costa com o consórcio de Neeleman depois da privatização da transportadora, concretizada pelo anterior executivo PSD/CDS, o Estado ficará detentor de 50% da TAP e das suas subsidiárias.

A 22 de março, durante a apresentação do livro "TAP - Caixa Negra", que escreveu, Moreira afirmou que quem controla a transportadora aérea é o empresário David Neeleman e não o Governo.