O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, afirmou hoje que existem «oportunidades muito importantes» a nível de comércio e investimento na Coreia do Sul, definindo a Ásia como uma região onde o Governo intensificará a atividade diplomático.

«Do ponto de vista económico, há oportunidades muito importantes em termos de comércio e de investimento. Do ponto de vista político, também há oportunidades importantes de uma concertação de ações na Ásia», disse o governante português, no final do primeiro dia de visita oficial à Coreia do Sul, onde se deslocou acompanhado por uma comitiva de responsáveis de 14 empresas nacionais.

O ministro afirmou que o Governo está «muito interessado em desenvolver a atividade diplomática» na região da Ásia, lembrando que Timor-Leste é «um apoio importante, do ponto de vista geográfico», porque pode «ser utilizado como plataforma».

«É provável que vamos intensificar essa atividade», acrescentou.

Sobre as relações comerciais entre Portugal e a Coreia do Sul, Rui Machete reconheceu que «o atual nível de comércio é relativamente reduzido», defendendo que «há uma capacidade de expansão muito elevada», nomeadamente na área alimentar, nas energias renováveis, na indústria automóvel e na tecnologia.

O objetivo passa também pela formação de alianças entre os dois países para os mercados da América do Sul e para os mercados africanos.

O ministro referiu que o mercado sul-coreano representa 50 milhões de pessoas, «com um poder de compra similar, por exemplo, ao dos espanhóis», e com uma «capacidade de exportação assinalável».

«É possível [a Coreia do Sul] fazer investimento direto em Portugal», sublinhou.

Durante o dia, Rui Machete reuniu-se com o ministro da Unificação, Kihl-Jae Ryoo, e com o presidente da Assembleia Nacional, Chang-hee Kang.

«Há relações históricas, anteriores ao século XVII, e não há qualquer razão para relegar essas relações para um segundo plano», disse o governante, que acrescentou que «os primeiros contactos já realizados permitem reforçar esses laços».

O ministro sublinhou que a Coreia do Sul tem um papel político particular, «pela circunstância de ser o país que de algum modo vigia a Coreia do Norte, que é um Estado errático», e «desempenha um papel importante na estabilidade das relações internacionais».

O governante falava aos jornalistas durante uma receção na residência do embaixador de Portugal em Seul, António Quinteiro Nobre, aos empresários e à comunidade portuguesa.

Presentes no encontro estiveram os embaixadores de Angola, do Brasil e de Timor-Leste na Coreia do Sul.

«Não sendo portugueses, mas usando a língua portuguesa, os senhores embaixadores também desempenham um papel comunitário importante neste esforço comum de fazer progredir a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em termos genéricos», salientou Machete.