O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, defendeu em Berlim a necessidade de a União Europeia avançar para «uma verdadeira união bancária» e pediu «as mesmas condições» de financiamento e energia para as empresas e cidadãos portugueses.

«É essencial avançar para uma verdadeira união bancária, assegurando às nossas empresas - de todos os Estados-membros e de todos os setores, o 'level playing field' [regras comuns] que uma moeda comum e um mercado único exigem», destacou o governante português, que intervinha na abertura do II Fórum Luso-Alemão, em Berlim.

Rui Machete sublinhou que «os grandes esforços que os cidadãos e as empresas portuguesas têm feito não poderão dar resultados sustentáveis se se mantiver por muito tempo a atual fragmentação dos mercados financeiros e o enorme diferencial entre taxas de financiamento de empresas com viabilidade similar, sendo que essa diferença apenas resulta de as suas sedes se situarem em países diferentes».

Portugal, acrescentou, não pede «situações de exceção» para as empresas e cidadãos nacionais, «mas apenas as mesmas condições, seja no financiamento, seja na energia, setor onde a produção de eletricidade em Portugal e em Espanha pode melhorar a diversificação, a segurança e também diminuir os preços da energia no conjunto da União Europeia».

Os países da UE precisam de «avançar mais e de forma mais decidida» no aprofundamento do mercado interno, em todas as suas facetas, «não hesitando em assegurar regras europeias claras e aplicadas a todos, por instituições fortes, num mercado interno de 500 milhões de consumidores», sustentou o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

Um aprofundamento que, sublinhou, é também importante no âmbito dos acordos comerciais em negociação com o Canadá, Japão e Mercosul, mas também da Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, com os Estados Unidos, defendendo a necessidade de «garantir, na vertente energética, um equilíbrio dos preços nos Estados Unidos e na Europa, tanto para a indústria como para os consumidores».

Sobre as eleições europeias, que se realizam a 25 de maio, Rui Machete admitiu que «a comunicação da Europa, das suas vantagens e dos seus resultados positivos, não tem sido feita de forma muito feliz».

«Temos de transmitir uma mensagem equilibrada e completa, sem fugir ao esclarecimento de todas as questões, mesmo as que parecem mais difíceis em contextos de crise económica», afirmou, acrescentando que «os governos nacionais têm aqui uma especial responsabilidade».

Os governos portugueses, destacou, «não têm caído na tentação» de culpar Bruxelas, mesmo nos anos mais recentes, em que houve desafios muito graves.

Destacando que cada país e cada cidadão enriquecem a Europa, Rui Machete aludiu à atual agitação política na Ucrânia: «Os acontecimentos mais recentes no leste do nosso continente relembram-nos, de forma crua e dramática, a importância deste projeto de destino comum e inclusivo».