
O Governo rescindiu o contrato de investimento entre a AICEP e a RPP Solar, no valor de 1.052 milhões de euros, que deveria criar quase 2 mil empregos, mas o empresário Alexandre Alves garante que não desiste.
Em entrevista ao Jornal das 8, na TVI, o responsável da RPP Solar sublinha que o projeto vai avançar na íntegra e revela como consegue financiamento para a construção das fábricas em Abrantes. Numa interpretação à retirada do apoio do Estado, Alexandre Alves admite que não tem relações particularmente boas com este executivo, nem com o anterior, e em Portugal «ninguém faz nada sem a benção do Estado».
O responsável garante que não deve nada ao Estado, apesar de o governo considerar que «RPP Solar - Energias Solares se encontra, até esta data, em incumprimento da obrigação de executar o projeto de investimento nos termos e prazos contratualmente fixados e não demonstra manter as condições de financiamento necessárias à concretização do mesmo».
Para Alexandre Alves, «um ano de atraso, num projeto como este, não é revelante»: «Não posso ser eu o sacrificado antes das férias», disse, apesar de o executivo considerar que o atraso permite a rescisão dos contratos de financiamento celebrados no âmbito do Quadro de Referência da Estratégia Nacional (QREN) relativos a operações aprovadas há mais de seis anos, cuja execução física e financeira não tenha ainda sido iniciada, tendo a RPP Solar de restituir os incentivos recebidos e os juros compensatórios; mas Alexandre Alves alerta que os incentivos do Estado eram para a construção de seis fábricas, e não de três, e que nunca recebeu apoios do Estado. A AICEP confirma.
O empresário confirmou ainda, em entrevista ao Jornal das 8, que a tecnologia em causa é alemã e a necessidade também é alemã: o mercado germânico representa 50% do mercado mundial, mas o país só consegue produzir 14% dos painéis que necessita. E é aí que Alexandre Alves, conhecido como o «barão vermelho» pelas suas ligações ao Benfica e ao PCP, considera que é capaz de supri essa necessidade e vender para o mercado internacional.
Mas atenção: «Sem salários de miséria. A política deste Governo conduz o país à miséria. Quero criar emprego, pagar justamente às pessoas e exportar produtos para o mercado internacional».