O Conselho Regional do Norte decidiu, esta quinta-feira, por unanimidade, apelar à intervenção do Governo nas decisões da TAP como o cancelamento de rotas a partir do Porto, num processo que deve ser aberto à participação das forças regionais.

“Vamos dirigir missivas à Comissão Executiva e ao Conselho de Administração da TAP e também ao Primeiro-Ministro de Portugal com o objetivo de promover um conjunto de reuniões para dar contributos do Norte para a decisão nacional, à semelhança do que o Norte tem feito para o país”, afirmou o presidente do Conselho Regional do Norte.

Paulo Cunha, também presidente da Câmara Municipal de Famalicão, divulgava assim as conclusões da reunião desta quinta-feira da comissão permanente do Conselho Regional do Norte que contou com a participação dos presidentes das comunidades intermunicipais da região e da Área Metropolitana do Porto, a Entidade Regional de Turismo Porto e Norte, representantes do tecido empresarial e autarcas da Maia, Matosinhos e Porto.

No final do encontro, destinado a avaliar as consequências das alterações das rotas a partir do aeroporto do Porto a serem implementadas até ao final de março, o responsável destacou ser esta uma “matéria estratégica” que, ao ser implementada pela TAP “está a secundarizar o aeroporto Francisco Sá Carneiro em favor do Aeroporto da Portela”.

“Neste momento operam no aeroporto Francisco Sá carneiro 20 companhias aéreas e esse número vai aumentar para 22. Não há uma diminuição de companhias a operar no aeroporto, há um aumento”, assinalou.

Para Paulo Cunha, estão por isso em causa “decisões estratégicas para a empresa” que não estão bem justificadas do ponto de vista económico-financeiro, razão pela qual é pedida a “intervenção do Primeiro-Ministro nesta matéria”.

“Queremos dar contributos para melhorar a decisão. Gostávamos de participar no processo decisório, melhorando o resultado final desse processo”, afirmou Paulo Cunha, acrescentando que não se trata de uma “postura de censura à atitude do Governo” mas sim de “apresentar uma disponibilidade para dar contributos” e valorizar a “importância do Norte” neste contexto.

O presidente do Conselho Regional do Norte assinalou ainda que “não está em causa uma relação entre Porto e Lisboa”, mas sim “uma decisão que, afetando o aeroporto Francisco Sá Carneiro, vai afetar todo o país porque vai ter um impacto negativo na vocação exportadora e na promoção do turismo”.

“Acreditamos que é possível, em cima do diálogo e da busca do consenso, construir soluções que sejam melhores para a região e para o país. Não podemos ignorar o peso da região no contexto nacional”, frisou.

O responsável aproveitou para destacar que “o aeroporto Francisco Sá Carneiro é um fator de coesão territorial” e que “a decisão de eliminar estas rotas é uma decisão que não afeta a região mas o país”.

No comunicado distribuído aos jornalistas no final da reunião, a Comissão Permanente do Conselho Regional do Norte decide não só “reafirmar a importância estratégica do aeroporto Francisco Sá Carneiro”, mas também “apoiar todas as iniciativas que se destinem a defender e reforçar a referida importância”-

Por isso, quer o conselho “levar esta matéria à atenção do XXI Governo Constitucional, na pessoa do senhor Primeiro-Ministro António Costa, sensibilizando-o para que colabore com os propósitos […] de que a TAP seja posicionada como um ativo de interesse e ao serviço da coesão nacional, enquanto ‘companhia de bandeira’, que é geradora de consensos e mais-valias para todos […] manifestando frontal discordância perante as decisões anunciadas”.

O Conselho Regional do Norte agendou já hoje uma reunião para o início do mês de abril para avaliar a evolução da situação e decidir medidas a adotar.