O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos acredita na boa-fé do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais quando aceitou o convite da Galp para ir ver a Seleção Nacional, sem pensar em contrapartidas. 

"Acredito que o secretário de Estado Rocha Andrade tenha aceite o convite com toda a bonomia e não acredito, sinceramente, que pensasse em retribuir com favores ou favorecer a empresa por qualquer outro meio. A empresa tem uma dimensão suficiente para não ser necessário entrar neste tipo de situações".

Na TVI24, Paulo Ralha explicou ainda que a Autoridade Tributária e Aduaneira tem um código de conduta mas que este não abrange nem secretários de Estado, nem o ministro das Finanças. Ou seja, Rocha Andrade não é obrigado a responder perante essas regras internas por estar em causa um cargo político, embora, no seu entender, a questão ética se coloque.

"Eticamente, a questão pode colocar-se e coloca-se: se, quem tutela um determinado organismo, nesta caso a AT, não deveria estar ainda com código de conduta superior? Do nosso ponto de vista sim. Não só desta direção geral mas em todas as direções gerais dentro da Administração Pública".
 
Até porque o exemplo deve vir de cima. O sindicalista lembrou outros dois casos recentes que causaram polémica do ponto de vista ético: o novo emprego da ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque e a ida de Durão Barroso, anterior presidente da Comissão Europeia, para o Goldman Sachs. Casos que "levantam problemas de complexidade ética elevada e que destroem a imagem da política perante os cidadãos". 
 
Se a viagem em causa tivesse sido oferecida a um trabalhador do fisco, aí haveria margem para consequências, "principalmente se o trabalhador estivesse incumbido ou de fiscalizar aquela empresa ou tivesse responsabilidade dena tributação de processos daquela empresa".
 
Aí sim, estar-se-ia perante um "conflito de interesses direto" que poderia culminar em sanção disciplinar ou, inclusivamente, levar ao despedimento.
 
Já o caso do secretário de Estado, e como disse o Governo, pode dar-se por "encerrado", na perspetiva de Paulo Ralha. "Em termos muito concretos, nesta situação, julgo que sim. Esta situação deve-nos fazer pensar equacionar novas medidas nomeadamente códigos de conduta e de ética alargados a todos os titulares de cargos políticos e por outro lado que todos os trabalhadores públicos sujeitos a uma série, por exemplo na AT, a uma série de incompatibilidades que não permitem o exercício de cargos fora do seu âmbito profissional, sejam também privilegiados. Que tenham também benefícios e não apenas obrigações no exercício do seu cargo", rematou.