A Galp esclarece que "é comum" convidar entidades e pessoas com que se relaciona para determinados eventos, como o caso que envolve o secretário de Estado Rocha Andrade, que aceitou o convite da petrolífera para ir ver um jogo do Europeu de Futebol. A empresa considera, de resto, que a sua prática é eticamente aceitável.

Como patrocinadora da Seleção Nacional de futebol desde 1999, com iniciativas diretamente ligadas à utilização da imagem e dos símbolos da equipa em campanhas publicitárias, a Galp junta a esse argumento o facto de desenvolver atualmente outras iniciativas com o objetivo de reforçar a visibilidade e impacto desse apoio. E uma delas é o envio de convites a pessoas e instituições com as quais se relaciona.

"Este tipo de iniciativas é comum e considerado aceitável no plano ético das práticas empresariais internacionais. A única coisa que pretende com todos e com cada um destes convites é fomentar o espírito de união em torno da Seleção Nacional, cujos valores se coadunam com os da marca Galp".

Entre os convidados, detalhou à Lusa, encontram-se parceiros de negócios, fornecedores e prestadores de serviços, agências de publicidade, representantes institucionais e dezenas de clientes, grandes e pequenos.

"Todos viajam em conjunto de forma aberta e transparente, num voo charter de acesso generalizado, sem qualquer segredo ou tratamento diferenciado, partindo e regressando no próprio dia do jogo"

Já quanto a "convites individuais", a Galp não faz comentários.

A propósito da polémica, o CDS-PP já veio pedir a demissão do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, por considerar “reprovável e grave” que tenha viajado a convite da Galp para assistir a jogos da seleção de futebol no Campeonato Europeu/2016.

Já o PSD pediu esclarecimentos do Governo sobre a viagem, lembrando que a Galp tem pelo menos um litígio fiscal pendente de muitos milhões de euros com o Estado, em particular com um serviço que depende da tutela do próprio secretário de Estado.

O visado Rocha Andrade, na sua reação por escrito, veio dizer que pretende reembolsar a Galp da despesa da viagem, apenas para que "não restem dúvidas sobre a independência do Governo" e dele próprio, embora encare com normalidade ter aceitado o convite da empresa, sem ver nisso um conflito de interesses. Nota ainda que a empresa formulou o convite “enquanto entidade patrocinadora da Seleção Nacional”, para assistir a dois jogos.

O constitucionalista Jorge Miranda defende que o secretário de Estado deve demitir-se: “É inadmissível. É uma falta de ética espantosa".

Não foi só o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que viajou a convite da Galp para assistir ao Euro. Também o secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, o fez, mas ao Público garantiu que pagou um bilhete de avião. Seja como for, pediu à Galp que esclareça se há despesas adicionais. "A existirem, serão devidamente reembolsadas”.