O presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, salientou esta quarta-feira o efeito da crise política em Portugal nos mercados, destacando a reação negativa numa primeira fase, mas sublinhando que houve logo de seguida uma recuperação.

«Era bom ter em atenção o que aconteceu aos mercados. Os mercados reagiram de forma violenta, mas depois houve uma recuperação», afirmou o banqueiro, numa conferência em Lisboa.

«Vamos ter esperança que os mercados reajam positivamente, após a declaração do Presidente da República, que nós não sabemos qual será. Mas se for como se pensa em Bruxelas e em Frankfurt [onde a expectativa é a da continuidade do atual Governo de coligação entre o PSD e o CDS-PP], podemos ter pela frente um futuro melhor em termos dos mercados», considerou Salgado.

Estas declarações foram feitas no decorrer da conferência que antecipou a entrega dos prémios 'Exportação e Internacionalização', promovidos pelo BES e pelo Jornal de Negócios.

O Presidente da República, Cavaco Silva, faz hoje uma declaração ao país, às 20:30, depois de, nos últimos dias, ter ouvido o primeiro-ministro, os partidos e parceiros sociais.

As audiências foram realizadas na sequência da crise política aberta com a demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas.

O líder do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anunciou, no sábado, um entendimento político com o CDS-PP liderado por Paulo Portas, proposto para vice-primeiro-ministro com a responsabilidade da coordenação económica, reforma do Estado e ligação à 'troika', que, assim, se mantém no executivo.

A 'troika' é composta pelo Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu.