O ex-presidente do BES admitiu que as contas falsificadas na Espírito Santo International, cuja responsabilidade sempre atribuiu ao contabilista Francisco Machado da Cruz, apesar deste assegurar que só seguiu as ordens de Ricardo Salgado, foram «um desastre».

Durante a já longa audição na comissão de inquérito parlamentar, Ricardo Salgado foi atirando as culpas para o Banco de Portugal, mas, quando respondia às questões do deputado do PCP Miguel Tiago, acabou por admitir «defeitos de organização» no Grupo Espírito Santo.
 

«Isso das contas falsificadas… foi um desastre resultado desta crise e da falta de estrutura e de organização».


Salgado explicou que o Banco de Portugal nunca solicitou as contas da ESI, até porque «as holdings não financeiras não eram grandes clientes do BES» e, portanto, estas não cabiam nas contas das instituições financeiras do grupo.

O banqueiro sublinhou, então, que o GES manteve sempre «os grandes riscos dentro das limitações impostas», algo que o deputado comunista refutou.

Questionado sobre quem, do GES, poderia não facultar as contas da ESI ao auditor externo, Ricardo Salgado admitiu que qualquer membro do Conselho Superior o poderia fazer.
 

«Incluindo eu, mas não me recordo. Se recordasse, eu dizia».


Ricardo Salgado apontou um «desequilíbrio» na estrutura do grupo, já que, no Conselho Superior do GES, só um membro, Manuel Fernando Espírito Santo, representava a área não financeira, através da Rioforte.
 

«Devíamos ter reforçado a área não financeira e a equipa de topo na holding-mãe. O objetivo era recapitalizar a Rioforte e esta absorver a ESI, mas não tivemos tempo».


O banqueiro culpou ainda os poderes políticos de não terem percebido «o que estava a acontecer». Seja como for, garante: «Não houve práticas fraudulentas».