O presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, adquiriu mais de 1,5 milhões de ações do banco no âmbito da recente operação de aumento de capital, numa altura em que está prestes a deixar a liderança da instituição.

Com a aquisição de 1.522.766 títulos, o líder histórico do BES passou a deter 5,3 milhões de ações do banco, segundo a informação hoje divulgada em comunicado através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

De resto, o presidente do BES contou com a companhia de mais oito administradores que participaram no aumento de capital do banco.

José Manuel Espírito Santo Silva adquiriu mais de 400 mil papéis, passando a deter um total de 1,4 milhões de ações do BES, seguido por Amílcar Morais Pires, atual administrador financeiro e o nome apontado pelo principal acionista (Espírito Santo Financial Group) para substituir Salgado na presidência do banco, que comprou mais de 135 mil títulos para passar a contar com quase 470 mil ações.

Ricardo Abecassis Espírito Santo Silva comprou quase 65 mil títulos (total de 224,6 mil ações), António Souto adquiriu mais de 42 mil papéis (total de 148,5 mil ações), Jorge Carvalho Martins comprou 13,6 mil títulos (total de 47,7 mil papéis), Joaquim Goes reforçou a sua carteira em 12,6 mil ações (total de 43,8 mil títulos), José Maria Ricciardi adquiriu 12 mil papéis (total de 42 mil ações) e Rui Manuel da Silveira adquiriu pouco mais de 2,5 mil ações (total próximo de 9 mil títulos).

O BES concluiu recentemente um aumento de capital, de 1.045 milhões de euros, que foi totalmente subscrito com a procura a superar a oferta, tendo os resultados sido anunciados a 11 de junho. As novas ações começaram a ser negociadas a 17 de junho.

O objetivo da operação foi reforçar os rácios de capital do banco, que será um dos bancos portugueses submetido aos exercícios do Banco Central Europeu (BCE).

Agora, todas as atenções estão apontadas para a assembleia-geral extraordinária do BES de 31 de julho, na qual os acionistas vão votar as alterações propostas pelo ESFG (que conta com 25,1% do capital do banco).

Na reunião magna será decidida uma alteração dos estatutos do BES, de modo a criar um conselho estratégico, para a liderança do qual é proposto Ricardo Salgado, que assim deixa a presidência do banco. É para este novo órgão que vão também transitar os restantes administradores do BES.

Caso os acionistas aprovem as propostas do ESFG, a comissão executiva deixará de ser liderada pelo histórico Ricardo Salgado e passará a ser comandada por Amílcar Morais Pires.