Notícia atualizada às 20:08

Ricardo Salgado bem avisou diversas vezes durante a longa audição que não queria «atacar» a família Espírito Santo. No entanto, não conseguiu evitar as críticas ao primo José Maria Ricciardi quando confrontado com a carta enviada em maio pelo presidente do BESI ao Banco de Portugal, que o responsabilizava pelo colapso do GES.

«Ricciardi teve um comportamento no mínimo muito curioso em relação ao que devia ter tido. Se fez alguma denúncia ao Banco de Portugal, é capaz de ter tido uma contrapartida por isso».

 
O ex-presidente do BES não quis especificar a que contrapartida se referia.
 
Salgado lembrou ainda que Ricciardi «esteve em vias de ser demitido». «O conselho de administração e os parceiros franceses estavam dispostos a isso», garantiu.

«Mas, para procurar manter a unidade da família, houve uma reunião com o presidente da ESI, que pediu calma para se encontrar uma solução e assim ele continuou. [Ricciardi] fez uma ameaça, que se saísse do banco iria falar de não sei de quê, mas não havia nada para falar, estava tudo na imprensa. Mas parece que não se coibiu de enviar cartas para o Banco de Portugal», criticou.


O presidente do BESI, que está agora a ser ouvido na comissão parlamentar de inquérito, considerou estas afirmações «uma infâmia».

«O Banco de Portugal e qualquer entidade reguladora não faz negociações com administradores de instituições bancárias», disse José Maria Ricciardi, em resposta a Filipe Neto Brandão, do PS, que o questionou sobre a alegada contrapartida que terá recebido por ter denunciado o que se passava no BES.

Ricciardi sublinhou que era a sua «obrigação» denunciar o colapso do grupo e não se sentiu como um «delator».