Ricardo Salgado garantiu, durante a audição no Parlamento, que não recebeu «nem mais um centavo» do que a informação «pública» que foi sendo divulgada nos últimos meses, incluindo o presente de 14 milhões de euros do construtor José Guilherme, a que não se referiu diretamente.
 

«Já tive offshores, mas não tenho (…) Não recebi nem mais um centavo do que foi divulgado».

 
Ou seja, o ex-presidente do BES não confirma ter recebido dinheiro do BESA através de uma offshore, tal como indica a auditoria da Deloitte revelada esta semana. Salgado, aliás, sublinha não ter tido «tempo» para ver o relatório na sua totalidade.
 

«Não tive tempo de ver a auditoria forense, mas a minha situação pessoal está publicamente divulgada desde 2012. Há RERT’s [Regime Extraordinário de Regularização Tributária] divulgados várias vezes».

 
Recorde-se que o banqueiro já assumiu ter utilizado esta amnistia fiscal para corrigir as suas declarações de IRS.

A auditoria forense revelou que houve transferências da conta do BESA no BES para «entidades relacionadas com o BES» e «entidades mencionadas nos meios de comunicação social como tendo ligação a responsáveis do BES e do BESA», mas a Deloitte não revela a identidade das mesmas, sendo que o «Expresso» as identificou como as três offshores Savoices, Alltine e Pineview Overseas, ligadas a Salgado, Morais Pires e Álvaro Sobrinho, respetivamente.
 
Questionado diretamente sobre a sua participação na Savoices, Ricardo Salgado comentou apenas que esta offshore «já foi completamente arrumada desde 2012».

«Não acredito...»

Ainda sobre a auditoria da Deloitte, Salgado não acredita que dinheiro do BESA tenha servido para financiar empresas do Grupo Espírito Santo.

«Não acredito que de forma algumas houve recursos do BESA que tenham vindo para financiar o GES. Não acredito, não é verdade».


O banqueiro desmente ainda ter ficado com parte dos créditos de 3,3 mil milhões de euros dados pelo BES ao BESA, que se perderam quase na totalidade com a medida de resolução, a criação do Novo Banco e a queda da garantia do Estado angolano.
 

«Para mim e para Morais Pires, não. Não respondo por ele, mas conheço a probidade do homem e a sua qualificação técnica».


De fora dos elogios e da ilibação ficou o ex-presidente do BESA, Álvaro Sobrinho.