Mais de três meses depois de Pedro Queiroz Pereira, presidente da Semapa e ex-acionista da ES Control, ter dito na comissão de inquérito que Ricardo Salgado «não lida bem com a verdade» e que as suas irmãs andavam a «vender bolos para fora», o ex-presidente do BES vingou-se.

«Queiroz Pereira fez aqui comentários caricatos, inclusivamente que as minhas irmãs andavam a fazer bolos para vender para fora, e que eu não lidava bem com a verdade. As minhas irmãs já lhe responderam, podiam perfeitamente fazer bolos para vender, mas isso não acontecia.

Esqueceu-se de dizer que tenho uma excelentíssima relação de amizade com as minhas irmãs e que elas nunca puseram processos judiciais contra mim, o que não acontece com ele».


Nessa altura, a 10 de dezembro, Queiroz Pereira, cuja tensão com Salgado e a consequente denúncia ao Banco de Portugal fez arrancar o processo de sucessão no BES/GES, recusou o argumento de Ricardo Salgado de que estava «a defender» a sua irmã quando tentou comprar uma participação de Maude Queiroz Pereira Lagos no grupo.
 

«As irmãs de Ricardo Salgado ficam à noite em casa a fazer bolos para vender em restaurantes e ele nunca se preocupou em defendê-las».


Salgado comprou participações de Margarida Queiroz Pereira Simões no Grupo Queiroz Pereira e, na visão de Pedro Queiroz Pereira, preparava-se para uma «tomada de controlo hostil» sobre a Semapa quando tentou comprar a participação de Maude, que avançou mesmo para tribunal contra o irmão.