Ricardo Salgado já tinha afirmado que não se revia na expressão «Dono Disto Tudo», mas, entretanto, a comissão de inquérito ao colapso do BES/GES ouviu dezenas de personalidades que coincidiram na mesma visão sobre a centralização de decisões no ex-presidente do BES.
 

«É totalmente falso o meu poder absoluto no banco. É verdade que tinha uma grande visibilidade como presidente executivo do BES e que o BES assumiu a liderança do setor bancário privado português. Talvez por isso tenha acabado por pagar a importância que me foi atribuída, indevida e que nunca procurei».

 
Para provar a sua visão, Salgado referiu que o BES tinha «a comissão executiva mais alargada da banca». Leu os pelouros dos outros responsáveis e atirou: «Só no BES, 5 dos meus colegas tinham mais pelouros do que eu».
 
Portanto, o banqueiro ouviu «com surpresa» os colegas falarem em «centralização absoluta». Até porque, alega, «não tinha tempo» para governar o GES no seu todo.
 

«Por ter menos pelouros do que pelo menos metade da comissão executiva, isso não quer dizer que eu trabalhasse pouco».

 
Ricardo Salgado referiu então as gravações do Conselho Superior do GES, defendendo que estas provam a responsabilidade de outros, aqui já sem referir nomes.
 

«Certamente perceberam pelas gravações que eu não tinha o poder que muitos dizem e procuram atirar responsabilidades para cima de mim».

 
Além do BES, o banqueiro acredita que a centralização financeira do grupo era «uma falsidade», já que o GES estava organizado por holdings que tinham os seus responsáveis.
 

«As pessoas agora descartam responsabilidades. Isso é humano, mas eu tenho de dar a minha explicação e a minha verdade. Eu não podia exercer o poder financeiro ao nível do GES».