O governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, refutou esta terça-feira as afirmações feitas pelo ex-presidente do BES Ricardo Salgado sobre a alegada aceitação Amílcar Morais Pires para futuro presidente da Comissão Executiva do banco.

A posição de Carlos Costa consta numa carta enviada hoje à comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES), horas depois das declarações feitas por Ricardo Salgado na mesma comissão.

«Aproveito a oportunidade desta carta para refutar veementemente diversas afirmações feitas pelo dr. Ricardo Salgado durante a audição na CPI a respeito da alegada aceitação do dr. Morais Pires para futuro presidente da Comissão Executiva do Banco Espírito Santo», lê-se na missiva, que é acompanhada por correspondência trocada entre Carlos Costa e Ricardo Salgado.

Num email enviado a 20 de junho de 2014, Ricardo Salgado pede ao governador do BdP «com urgência a autorização» para que seja dada a indicação de Amílcar Morais Pires como próximo presidente executivo do banco.

Salgado alegava, entre outros motivos, que existiam «bancos a suspender as linhas interbancárias», estando «em hold até ao esclarecimento total sobre o novo comando executivo» do banco e que o então presidente do IGCP - Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, João Moreira Rato, manifestava “grande preocupação sobre o potencial impacto no mercado”.

«Desta forma, acredito ser essencial indicar ao mercado a proposta da ESFG para a assembleia geral de 31 de julho para a nomeação de Amílcar Morais Pires como CEO», acrescentava Salgado.

Na resposta, enviada no mesmo dia, Carlos Costa afirma que «o Banco de Portugal não está em condições de validar um nome proposto, por um acionista de referência, para a presidência da Comissão Executiva, sem avaliar o preenchimento dos requisitos de idoneidade».

O governador do BdP afirmou ainda que a escolha do novo presidente executivo competia, no caso do BES, ao Conselho de Administração.

O ex-administrador financeiro do BES Morais Pires, tido como braço direito de Ricardo Salgado, chegou a ser apontado para substituir o histórico presidente do banco, cargo que acabou por ser assumido por Vítor Bento.

Na carta enviada à comissão de inquérito, Carlos Costa esclarece ainda, sobre a proposta de nomeação de Ricardo Salgado para presidente do Conselho Estratégico, que «ao Banco de Portugal apenas compete legalmente avaliar a idoneidade dos membros dos órgãos de administração e fiscalização das instituições de crédito, e não de outros órgãos estatutários».

 
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