Os ministros das Finanças da zona euro reúnem-se esta sexta-feira em Milão quando se volta a falar de flexibilização das regras orçamentais, num encontro em que também será debatido o pagamento antecipado pela Irlanda do empréstimo do FMI.

Pretensão irlandesa é «racional» e «bom princípio», considera Passos Coelho

Portugal poderá seguir pelo mesmo caminho, quando as condições forem adequadas

Dublin quer reembolsar antecipadamente 18 mil milhões de euros dos 22,5 mil milhões emprestados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), no âmbito do programa de resgate de 85 mil milhões de euros, uma vez que se consegue financiar nos mercados a taxas de juro mais baixas.

A estratégia irlandesa não deverá contar com a oposição dos parceiros europeus, ainda que não deva haver para já luz verde formal à pretensão de Dublin, e abre caminho a que também Portugal possa reembolsar mais rapidamente parte do empréstimo do FMI. Tanto o primeiro-ministro, Passos Coelho, como a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, já assumiram que estão atentos a este tema.

A antecipação do pagamento do empréstimo do FMI necessita da autorização da Europa, já que nos contratos dos resgates ficou estabelecido que, se os empréstimos do FMI fossem reembolsados antes do prazo, os credores europeus teriam o direito de exigir o mesmo.

Esta reunião informal do Eurogrupo, em que participa Maria Luís Albuquerque, acontece quando se volta a discutir uma interpretação mais flexível das regras orçamentais que os países têm de cumprir e este tema não deverá escapar ao debate.

As recentes posições do presidente do Banco Central Europeu , Mario Draghi, e do presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, deram indicações de que estarão disponíveis para um melhor equilíbrio entre crescimento e disciplina das contas públicas.

Este tema ganhou força esta semana, ao ser confirmado que França está prestes a apresentar um desvio no défice orçamental. Na terça-feira, Bruxelas exigiu que Paris adote «medidas credíveis» para reduzir o défice em 2015, depois de o ministro das Finanças francês, Michel Sapin, ter revelado que o défice não estará no limite de 3% do PIB exigido até 2017.

O encontro em Milão, quando decorre a presidência italiana da União Europeia, servirá ainda para os ministros analisarem a execução do programa de resgate da Grécia e a eventual saída da assistência financeira.

O primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, disse esta semana, após um encontro com Passos Coelho em Atenas, que o país vai sair do programa de resgate, tal como fizeram Irlanda e Portugal, e pôs de parte quer uma extensão do atual segundo resgate, quer um terceiro programa.