Os lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo vão iniciar esta semana com uma reunião a quatro: com Governo, Banco de Portugal e Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. Encontro marcado para as 17:00, com o objetivo de tentar encontrar uma solução que lhes permita recuperar parte do dinheiro investido.

Esta é, de resto, a primeira vez em que há uma reunião entre representantes das quatro partes para tentar desenhar uma solução para o problema dos clientes que compraram papel comercial das sociedades do GES nos balcões do antigo BES e que perderam o dinheiro no colapso do grupo.

O advogado da Associação dos Indignados e Enganados do papel Comercial (AIEPC) do GES defende que este encontro servirá para os lesados perceberem o que propõe cada uma das entidades como solução para estes clientes.

Sobre as notícias que apontam que cada cliente receba entre 100 e 200 mil euros de indemnização, Nuno Vieira diz, citado pela Lusa, que qualquer informação neste momento é "especulação" e que só esta segunda-feira os lesados saberão o que cada entidade propõe.

"Vamos partir do ponto zero. E vamos partir a pensar que iremos recuperar 100 por cento, que não haverá qualquer perda"

A questão dos lesados do papel comercial ganhou ainda mais ênfase depois de, em fevereiro, o primeiro-ministro, António Costa, ter censurado publicamente o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, por estar a "arrastar" uma solução para o problema.

Em junho de 2015, o governador do Banco de Portugal disse no parlamento que a solução para os lesados do BES tinha de vir da CMVM e não da entidade que dirige, uma vez que se trata de valores mobiliários e não de depósitos e reafirmou que as responsabilidades pelos lesados do papel comercial do BES não podem ser atribuídas ao Novo Banco, mas sim ao próprio BES.

O desespero dos lesados arrasta-se desde o verão de 2014, altura em que o Banco Espírito Santo foi alvo de uma medida de resolução. Desde aí que têm vindo a desenvolver várias ações com vista a recuperar o dinheiro investido.

De acordo com as informações recolhidas pela Lusa, são atualmente 2.040 os subscritores de papel comercial que reclamam cerca de 400 milhões de euros.