O Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE) reúne esta quinta-feira para discutir decisões de política monetária, antecipando os analistas contactados pela Lusa que as taxas de juro sejam mantidas nos níveis atuais.

O diretor de investimentos do Banco Carregosa, João Pereira Leite, afirmou não esperar «nenhuma novidade», acrescentando que também «o mercado não está à espera de uma mexida nas taxas».

«Não aguardo mexidas nas taxas, nem tão pouco me parece que possa haver outras novidades, com outro tipo de medidas», disse ainda o analista.

Também a economista do BPI Paula Carvalho tem a mesma expectativa, afirmando apenas que o banco «não está à espera de novos movimentos» nas taxas de juro diretoras, que foram cortadas pela última vez em junho.

Na mesma linha, o analista do Commerzbank Michael Schubert considera que, depois de ter aprovado um amplo pacote de medidas para impulsionar o crédito na zona euro, o BCE vai agora esperar e ver o seu efeito.

Em junho, o BCE cortou a taxa de juro diretora para o novo mínimo histórico de 0,15% e colocou em valor negativo a taxa de depósitos.

O Conselho de Governadores decidiu voltar a cortar em 10 pontos base a principal taxa de refinanciamento da zona euro, que estava desde novembro do ano passado nos 0,25%.

Além disso, colocou em valores negativos (-0,10%) a taxa de depósitos, que estava em zero, para penalizar os bancos que depositam dinheiro na instituição, numa medida inédita com o objetivo de impulsionar o crédito.

Passou ainda para 0,40% (face aos anteriores 0,75%) a taxa da facilidade permanente de cedência de liquidez, através da qual o banco central empresta dinheiro aos bancos a um dia.

Nesta altura, a instituição liderada por Mario Draghi determinou também a realização de duas injeções de liquidez de longo prazo (quatro anos), em setembro e dezembro deste ano, no valor de 400 mil milhões de euros.