A Parpública registou prejuízos de 45,8 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, o que representa uma melhoria homóloga de 61,2%, informou hoje esta entidade que é responsável pela gestão das participações públicas nas empresas.

Em comunicado esta segunda-feira enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Parpública explica que, "embora corresponda a um prejuízo de 45,8 milhões de euros", o resultado líquido verificado na primeira metade do ano foi "significativamente melhor do que verificado no período homólogo".

No primeiro semestre do ano passado, a Parpública apresentou prejuízos que ultrapassaram os 117 milhões de euros, pelo que o resultado líquido verificado entre janeiro e junho deste ano, ainda que continue negativo, teve um desempenho mais positivo do que no mesmo período de 2014.

"Esta melhoria ficou a dever-se à evolução positiva verificada ao nível da 'holding', cujo resultado passou de -140,2 milhões de euros para -36,5 milhões de euros, enquanto o prejuízo obtido pelas atividades operativas se agravou de forma significativa, passando de 23,8 milhões de euros para 84,8 milhões de euros", escreve a Parpública no Relatório de Gestão e Demonstrações Financeiras Intercalares relativo ao primeiro semestre

A Parpública justifica esta redução de prejuízos no primeiro semestre de 2015 com duas operações (uma operação de 'swap' de taxa de juro e outra relativa a ações Galp), as quais permitiram um ganho de 121,7 milhões de euros entre janeiro e junho deste ano quando, no mesmo período do ano passado, implicaram uma perda de 13,6 milhões de euros.

Por outro lado, com um contributo negativo para os resultados líquidos da Parpública, destaca-se "a necessidade de reforço das provisões em 113,8 milhões de euros, essencialmente para fazer face à evolução dos capitais próprios do Grupo TAP", que passaram de -511,8 milhões de euros para os -631 milhões de euros.

O volume de negócios das empresas do grupo Parpública "ultrapassou os 1,7 mil milhões de euros" na primeira metade de 2015, "tendo tido origem essencialmente no segmento das atividades relacionadas com o transporte aéreo e com águas e resíduos"

Em termos consolidados, o resultado antes de impostos, juros, depreciações, amortizações (EBITDA) apurado no final do primeiro semestre cresceu 16,8%, ascendendo aos 319,9 milhões de euros, uma "melhoria ditada pela situação ocorrida na holding, onde o EBITDA passou de -26,5 milhões de euros para os 65,5 milhões de euros".

As atividades operativas da holding estatal, no seu conjunto, apresentaram "uma evolução fortemente negativa", com uma redução do EBITDA dos 265,8 milhões de euros para os 187,3 milhões de euros, "principalmente devido à degradação da situação das empresas do grupo TAP".

"Os acontecimentos laborais que assolaram a empresa e condicionaram a sua trajetória e crescimento conduziram a uma quebra das vendas e ao aumento dos custos, situação que se traduziu na queda do seu EBITDA de -1,5 milhões de euros para os -68,8 milhões de euros", refere o documento.


Olhando para todos os segmentos de atividade, o que apresentou "maior contributo para a formação do EBITDA" no primeiro semestre foi o das águas e resíduos, seguindo-se a gestão imobiliária.

A Parpública refere que este agravamento dos prejuízos apurados no âmbito das atividades operativas "está diretamente associado à situação ocorrida no grupo TAP", cujos prejuízos atingiram os 142,9 milhões de euros até junho deste ano, o que compara com os 83,4 milhões de euros do primeiro semestre do ano anterior.

"Este agravamento dos prejuízos está naturalmente relacionado com o impacto das greves (anunciadas e efetivas) e às inerentes perturbações na prestação dos serviços ao nível do transporte aéreo, embora também a atividade de manutenção desenvolvida no Brasil tenha contribuído para esse agravamento", acrescenta ainda o relatório da Parpública.