O Novo Banco anunciou esta segunda-feira que teve prejuízos de 419,2 milhões de euros entre janeiro e setembro, agravando em 8,9% os prejuízos registados no mesmo período do ano passado, divulgou a instituição, na apresentação dos resultados do terceiro trimestre. 

A instituição liderada por António Ramalho divulgou que os prejuízos antes de impostos foram de 355,6 milhões de euros, melhor em 34,7% do que o resultado homólogo de 2016. Contudo, "face à decisão de não registar impostos diferidos adicionais", o resultado líquido foi de prejuízos de 419,2 milhões de euros, pior em 8,9% do que o valor homólogo, adiantou o banco.

Quanto a gastos, entre janeiro e setembro, o banco reduziu os seus custos operativos em 12,4% face ao mesmo período de 2016, para 394,2 milhões de euros, o que justifica com "as melhorias concretizadas ao nível da simplificação dos processos e da otimização das estruturas com a consequente redução de balcões e colaboradores".

Os gastos com pessoal caíram 8,6%, para 210,4 milhões de euros, e os gastos administrativos foram de menos 13,7%, para 152,7 milhões de euros.

O Novo Banco reduziu em 390 o número de trabalhadores em Portugal entre janeiro e setembro deste ano e fechou 58 balcões.

No final de setembro, o Novo Banco tinha 5.297 funcionários em Portugal, menos 390 do que no final de 2016.

Já na atividade internacional, os trabalhadores eram 378 em setembro, menos 31 do que em dezembro passado, pelo que no total o Novo Banco reduziu em 421 pessoas o seu quadro de pessoal nos primeiros nove meses deste ano.

Já em termos de balcões, no fim de setembro, o Novo Banco tinha 449 agências em Portugal, menos 58 face ao fim de 2016.

O Novo Banco foi vendido, em meados de outubro, ao fundo norte-americano Lone Star. Este fundo de investimento passou a deter 75% da instituição, enquanto o fundo de resolução bancário (até então o único acionista) manteve 25% do capital social.

Os resultados do Novo Banco até setembro dizem respeito ao período em que pertencia na totalidade ao fundo de resolução.

Antes da privatização do Novo Banco foi negociado com a Comissão Europeia um plano de reestruturação para os próximos cinco anos, com concentração do banco na península ibérica, venda ou descontinuidade de operações no estrangeiro e venda de seguradoras (desde logo a GNB Vida). Estão ainda previstas medidas para aumento de receitas e medidas para redução de custos.

Em termos de trabalhadores, a informação passada aos sindicatos indica a necessidade de reduzir cerca de 500 trabalhadores até 2021.

Parte da redução de efetivo deverá ser feita através das vendas de operações que o Novo Banco terá de fazer (caso de seguradoras ou de unidades no estrangeiro) e por saídas naturais (reformas e rescisões dos trabalhadores por sua própria decisão), mas também poderá haver novos processos de saídas por proposta da instituição.

Desde que foi criado, no âmbito da resolução do BES, em agosto de 2014, o Novo Banco já reduziu o seu quadro de pessoal em mais de 2.000 trabalhadores.