O presidente do Novo Banco, Stock da Cunha, acredita que a instituição deverá ter lucros na sua atividade global em 2018, esperando, no entanto, que em 2017 já consiga resultados positivos na atividade que considera estratégica, nomeadamente a comercial.

"Em 2018 esperamos ter lucro na atividade total, atividade central e atividade ‘side bank', e em 2017 esperamos ter lucro na atividade ‘core'", disse o gestor, na apresentação dos resultados do Novo Banco referentes a 2015.

O gestor fez questão de dividir a atividade do Novo Banco na atividade ‘core' e no que designou de ‘side bank', sendo que a primeira diz respeito à atividade considerada principal ou estratégica, nomeadamente a banca comercial, e o ‘side bank' a atividades para descontinuar, sobretudo herdadas do antigo BES.

O Novo Banco teve prejuízos de 980,6 milhões de euros em 2015, o que a instituição justificou com o "elevado nível de provisionamento essencialmente para crédito a clientes, títulos e imóveis", no valor de 1.054,4 milhões de euros, e ainda da anulação prejuízos fiscais em 160 milhões de euros.

Stock da Cunha, que falava durante a conferência de imprensa, explicou que foi feito um reforço dos níveis de provisões para as 50 maiores exposições de risco que já existiam à data da resolução do BES e ainda nos imóveis detidos pelo banco, num montante global de 592,3 milhões de euros, o que teve um "impacto determinante no resultado líquido".

"Há quase 600 milhões de euros que atribuímos a este legado do BES e que naturalmente gostaríamos de não ter herdado", afirmou.

O presidente do Novo Banco destacou a importância de a entidade ter obtido um resultado operacional (antes de impostos, imparidades e provisões) de 125 milhões de euros positivos em 2015, considerando que isso "demonstra que o banco já é capaz de gerar resultados positivos", num sinal do regresso à normalidade.

"Falar de um preço de 4,9 mil ME é esconder a realidade"

O presidente do Novo Banco considerou hoje que não se pode fazer uma associação direta entre os 4,9 mil milhões de euros injetados na entidade após a resolução do BES e o preço da futura venda da entidade.

"Falar de um preço de 4,9 mil milhões de euros é esconder a realidade", afirmou Eduardo Stock da Cunha na conferência de imprensa de apresentação de resultados do Novo Banco em 2015, apontando para a desvalorização generalizada no valor de mercado da maioria dos bancos nos últimos dois anos.

Não sei se vão ser quatro, três, dois ou sete. Não faz sentido nenhum comparar com os 4,9 [mil milhões de euros] porque não há banco nenhum que valha hoje o que valia em 2014", acrescentou, realçando as fortes quedas em bolsa dos títulos da banca neste período.

Ainda assim, Stock da Cunha destacou que "o processo de venda é da responsabilidade do Banco de Portugal", ainda que mostrando disponibilidade para a equipa de gestão que lidera seguir aquilo que o Banco de Portugal entenda que deve ser a sua atuação.

Entendemos que podemos ter um papel maior do que a que tivemos na primeira fase, mas quem decide é o Banco de Portugal", afirmou.

O Novo Banco foi criado no início de agosto de 2014 na sequência da resolução do Banco Espírito Santo (BES) como banco de transição, detido na totalidade pelo Fundo de Resolução bancário.

Logo no início da sua atividade, entre 04 de agosto e dezembro de 2014, teve prejuízos de 467,9 milhões de euros, a que se somam pelo menos mais cerca de 3.600 milhões de euros negativos que o BES tinha tido no primeiro semestre de 2014