O Novo Banco teve prejuízos de 980,6 milhões de euros em 2015. Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a instituição sublinha que o resultado do exercício é reflexo do elevado nível de provisionamento (essencialmente para crédito a clientes, títulos e imóveis), de 1.054,4 milhões e ainda da anulação da totalidade dos prejuízos fiscais reportáveis relativos ao ano de 2013 no valor de 160 milhões.

"Foi condicionado pelas circunstâncias excecionais decorrentes da sua situação de banco de transição e que se refletiram em vários domínios da sua atividade, bem assim como pela conjuntura nacional desfavorável caracterizada pelo ainda fraco dinamismo da atividade económica, por níveis de desemprego elevados e por taxas de juro muito baixas".

O resultado operacional (antes de provisões e imparidades) foi positivo em 125 milhões, enquanto o produto bancário ascendeu a 879,6 milhões de euros.

Já os resultados de operações financeiras atingiram 117,9 milhões e os outros resultados de exploração foram negativos em 44,5 milhões,  incorporando o efeito de "importantes custos" como a contribuição para o Fundo Único de Resolução Europeu (25,3 milhões) e para o Fundo de Resolução Nacional (6,7 milhões).

Os custos operativos cairam 12,7%, situando-se em 754,7 milhões de euros.

Logo no início da sua atividade, entre 04 de agosto e dezembro de 2014, o Novo Banco teve prejuízos de 467,9 milhões de euros, a que se somam pelo menos mais cerca de 3.600 milhões de euros negativos que o BES tinha tido no primeiro semestre de 2014.

Mais de metade do prejuízo herdado do BES, diz Stock da Cunha

O presidente do Novo Banco, Eduardo Stock da Cunha, revelou que quase 600 milhões de euros do prejuízo de 980,6 milhões de euros em 2015 foram "herdados" do antigo BES, mais de metade do valor total.

"Há quase 600 milhões de euros que atribuímos a este legado do BES e que naturalmente gostaríamos de não ter herdado", afirmou o gestor, salientando que "o esforço de provisionamento teve um impacto determinante no resultado líquido".

Stock da Cunha, que falava durante a conferência de imprensa de apresentação de resultados, explicou que foi feito um reforço dos níveis de provisões para as 50 maiores exposições de risco que já existiam à data da resolução do BES e ainda nos imóveis detidos pelo banco, num montante global de 592,3 milhões de euros.

No total, o reforço de provisões em 2015 atingiu 1.057,9 milhões de euros (739,3 milhões de euros para crédito e 318,6 milhões de euros para títulos e outros ativos).

Paralelamente, a equipa de gestão decidiu anular a totalidade dos prejuízos fiscais reportáveis relativos ao ano de 2013, correspondentes a 160 milhões de euros.

"Tivemos que ‘deitar fora' um nível importante de DTA [ativos por impostos diferidos, na sigla inglesa] que expiravam em 2018. Consideramos que é pouco provável recuperar esses DTA" até essa data, justificou Stock da Cunha.

O presidente do Novo Banco destacou a importância de a entidade ter obtido um resultado operacional (antes de impostos, imparidades e provisões) de 125 milhões de euros positivos em 2015.

Este desempenho "demonstra que o banco já é capaz de gerar resultados positivos", realçou, dizendo que isso é um sinal do regresso do banco à normalidade.

Menos 261 trabalhadores e 35 agências

O número de trabalhadores do Novo Banco no mercado doméstico baixou para 6.571 colaboradores no ano passado, menos 261 do que em 2014, e foram encerradas 35 agências para um total de 596 em Portugal.

Já na atividade internacional o quadro de pessoal foi reduzido em 150 trabalhadores para um total de 740 e o número de balcões baixou para 39, menos cinco do que em 2014.

Em termos globais, o banco cortou o número de colaboradores em 411 para 7.311 funcionários e reduziu 40 agências para um total de 635 balcões.