O lucro dos CTT caiu 7,3% no primeiro trimestre, face a igual período do ano passado, para 20,7 milhões de euros, influenciado por um impacto não recorrente, anunciaram hoje os Correios de Portugal.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), os CTT explicam que o resultado líquido foi "influenciado por um impacto não recorrente no EBIT [resultado operacional] de dois milhões de euros decorrente, sobretudo, da resolução do contrato de arrendamento de longo prazo de um edifício não utilizado (Conde Redondo)".

Excluindo os rendimentos/gastos do Banco CTT, que arrancou ao público a 18 de março em 51 lojas, o lucro dos CTT teria crescido 2,9% para 24,4 milhões de euros.

No trimestre, os rendimentos operacionais diminuíram 6,1% para 179,6 milhões de euros, com as vendas e serviços prestados a recuarem 8,4% para 170,6 milhões de euros.

Os gastos operacionais decresceram 4,2% para 145,4 milhões de euros.

O resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) caiu 13,3% para 34,2 milhões de euros e o EBIT desceu 6,1% para 31 milhões de euros.

Segundo a empresa liderada por Francisco de Lacerda, os nove dias úteis de funcionamento do Banco CTT no trimestre em análise confirmaram "as expectativas, com a abertura de 2.108 contas", o que corresponde a "4,5 contas por dia por balcão".

Os Correios adiantam uma redução 4,4% do tráfego de correio endereçado nos primeiros três meses do ano, "ligeiramente mais acentuada do que a ocorrida no ano de 2015".

No período, o correio transacional registou uma diminuição de 4,4%, sendo que para "esta evolução contribuíram as variações de tráfego do correio normal (-3,4%), correio registado (-12,5%), correio prioritário (-13,8%), correio verde (-6,2%) e correio internacional de saída (-5%); em contrapartida, o correio internacional de chegada teve uma evolução positiva", de 4,4%.

"O decréscimo do correio registado deveu-se, sobretudo, à redução dos consumos do setor Estado e Administração Pública, em particular da Autoridade Tributária, que tem vindo desde o terceiro trimestre de 2015 a reduzir o consumo deste tipo de correio para níveis mais consistentes com o período anterior ao forte aumento decorrente de recuperação extraordinária de cobranças", explicam os CTT.

"Sem o efeito do comportamento deste cliente no primeiro trimestre, o tráfego de correio registado teria ficado ao nível do de igual período do ano anterior", adiantam.

Relativamente à quebra de correio azul, os CTT explicam que "é particularmente acentuada no segmento ocasional de venda de pré-pagos nas lojas CTT", enquanto a queda de tráfego no correio normal está "centrada na carteira de grandes clientes e, em particular, nos setores das 'utilities' [serviços básicos], das telecomunicações e do Estado e Administração Pública (novamente o cliente Autoridade Tributária com a redução mais significativa) ".

O correio editorial nacional registou um "ligeiro crescimento que se deve à distribuição temporal dos envios nos trimestres do ano", enquanto o publicitário endereçado caiu 7,4%.