O resultado líquido combinado das seguradoras que atuam em Portugal ascendeu a 692 milhões de euros no ano passado, um aumento homólogo de 29%, explicado pelo bom desempenho dos mercados de capitais e por algumas operações extraordinárias.

A informação foi divulgada pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS), num encontro com jornalistas em Lisboa, no qual foi dado conta de que, das 42 seguradoras que atuam no mercado português, só seis companhias tiveram resultados negativos em 2013.

Segundo Pedro Seixas Vale, presidente da APS, o crescimento dos lucros do setor foi possível devido à «recuperação dos mercados de capitais, em especial a do segmento da dívida, e duas operações extraordinária de venda de carteiras de Vida risco que, por si só, valeram perto de 180 milhões de euros».

O responsável assinalou que foi no ramo Vida, «mais sensível à componente financeira e diretamente afetado pelas referidas operações extraordinárias», que a «melhoria das condições de exploração mais se fez sentir».

Em contraciclo, o segmento Não Vida «sofreu uma forte contração do seu resultado», frisou Seixas Vale, tendo sido penalizado pelos custos do temporal de janeiro do ano passado, que ascenderam a 100 milhões de euros, bem como pelo desequilíbrio económico do ramo Acidentes de Trabalho, a par de outros ramos e modalidades de menor dimensão.

De resto, as seguradoras mantêm em termos gerais uma «sólida posição financeira», realçou, com o ativo total próximo de 56 mil milhões de euros, os capitais próprios superiores a 5 mil milhões de euros (uma ligeira descida face a 2012) e uma margem de solvência mais de duas vezes superior aos níveis mínimos exigidos (218%).

Com a entrada em vigor das novas regras para o setor a aproximar-se (em 2016), Seixas Vale disse que o setor no seu conjunto tem condições para as regras de Solvência II, que têm «muito impacto na área Vida», mas considerou «natural que um ou outro operador necessite de reforçar os seus capitais próprios».

Um dos pontos em destaque na apresentação da APS passa pela «carga fiscal elevadíssima» suportada pelo setor, conforme salientou Seixas Vale.

As seguradoras são responsáveis por cerca de 3% do total da receita fiscal e por 10% do IRC, segundo a APS.

«O contributo do setor segurador para o financiamento do Estado revela-se também pela enorme carga fiscal e parafiscal que gera e suporta, equivalente a cerca de 800 milhões de euros (sem retenções na fonte de IRS e IVA suportado», sublinhou o presidente da APS.