A Sonae obteve um lucro de 133 milhões de euros até setembro, menos 2,9% que o registado no período homólogo de 2016, quando obteve ganhos de capital.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Sonae refere que "o resultado líquido atribuível aos acionistas ascendeu a 133 milhões de euros" até setembro, "beneficiando do crescimento das vendas de todos os negócios e da melhoria da rentabilidade operacional, bem como da valorização dos centros comerciais e dos menores custos financeiros decorrentes do reconhecimento da forte estrutura de capital" do grupo.

"Excluindo os ganhos de capital não recorrentes no primeiro trimestre de 2016, fruto essencialmente das operações de sale and leaseback já mencionadas, a evolução do resultado líquido da Sonae teria sido claramente positiva", lê-se ainda.

O administrador financeiro da Sonae Luís Reis disse à Lusa que os resultados nos primeiros nove meses revelam "muita solidez" do grupo e que são "muito bons para a holding como um todo".

O resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) diminuiu 8,1%, para 273 milhões de euros, enquanto o EBITDA subjacente "atingiu 221 milhões de euros, aumentando 19 milhões de euros", ou seja, 9,6%, "beneficiando do desempenho dos negócios de retalho e de serviços financeiros".

O administrador financeiro apontou que o grupo registou um "crescimento do volume de negócios de forma significativa" no período em análise, além do "aumento da rentabilidade de 9,6%".

Continente "muito bom" desempenho

No que respeita à cadeia de hipermercados Continente, o administrador salientou que se assistiu a uma "aceleração da quota de mercado", tendo tido "muito bom" desempenho no terceiro trimestre.

Referiu que 80% dos produtos perecíveis - carne, peixe, legumes - vendidos no retalho alimentar do grupo "são comprados em Portugal", o que demonstra que o grupo Sonae aposta na produção nacional.

Atingir este indicador "resulta de um longo trabalho com o clube de produtores, qualificação da produção nacional", entre outras iniciativas do grupo.

Oito em cada 10 produtos percecíveis são produzidos em Portugal e quem os compra está a contribuir para o desenvolvimento da economia portuguesa".

Luís Reis disse ainda que "toda a produção" do robô de cozinha Yammi, comercializado pela Sonae, foi trazida para Portugal e atualmente este produto já é exportado para França e para o Luxemburgo.

No que respeita ao comércio eletrónico, a Worten registou um "crescimento expressivo em Portugal e Espanha", sendo que sobe mais de 50% no comércio online.

Também a marca de vestuário Salsa tem registado uma experiência positiva no comércio eletrónico. Em Espanha, as vendas 'online' da marca subiram 40% e em Portugal 10%.

Por sua vez, o comércio eletrónico do Continente regista um crescimento de 17%. "Há espaço de crescimento" no comércio eletrónico, acrescentou o administrador financeiro.

Nos nove primeiros meses do ano, o grupo Sonae criou "mais de 3.000 empregos", o que representa um ritmo de 10 postos de trabalho criados por dia.

Relativamente à internacionalização, o gestor disse que o grupo "ultrapassou os 90 países com presença de produtos quer em lojas próprias, quer de terceiros".