O lucro da Redes Energéticas Nacionais (REN) subiu 3% para 116,1 milhões de euros (ME) em 2015, em linha com o previsto, com mais-valias 'one off' e a reversão extraordinária de uma imparidade para impostos a sobreporem-se a quedas nas receitas e nos resultados operacionais, anunciou a empresa.

O EBITDA, que consiste nos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortizações, caiu 3,1% para 489,7 ME.

A REN explicou em comunicado que o recuo do EBITDA se deveu "a alterações no quadro regulatório do sector elétrico e da tendência decrescente das taxas de juro soberanas utilizadas no mecanismo de indexação da taxa de remuneração dos ativos".

Explicou que "este efeito foi parcialmente atenuado pela mais-valia obtida com a venda da participação na Enagás, que se situou em 20,1 ME ao nível do EBITDA".

A média de três analistas consultados pela Reuters apontava para um lucro de 117 ME e EBITDA de 494 ME.

"Este resultado (lucro) de 116,1 ME beneficiou nomeadamente da mais-valia de 16,1 ME obtida na venda da participação da REN na Enagás, do crédito fiscal obtido no segundo trimestre no valor de 9,9 ME; e da melhoria em 14,9 ME dos resultados financeiros", disse a REN em comunicado.

Contudo, frisou que o resultado "foi reduzido pela menor remuneração dos ativos - menos 30,9 ME - e pela manutenção do pagamento da contribuição extraordinária do sector energético aprovada aquando do Orçamento de Estado de 2015".

Em Julho do ano passado, a empresa anunciou que teve uma recuperação extraordinário de impostos de 9,9 ME, adiantando nessa altura que obteve uma mais-valia com a venda da participação de 1% na espanhola Enagas em Março.

Afirmou que "o CAPEX e as transferências para exploração totalizaram 240,4 ME (mais 77,1 ME) e 231,6 ME (mais 37,5 ME) respetivamente, tendo beneficiado da aquisição de 2 cavernas de armazenagem de gás natural pertencentes à Galp Energia, que também se refletiu no aumento do valor da base média de ativos (RAB) para 3.585,8 ME, ou seja mais 56,5 ME" ou mais 1,6%.

Segundo o Plano Estratégico, apresentado em Maio último, a REN prevê que o lucro líquido cresça à média anual de 10% entre 2015 e 2018 com menores custos financeiros, e EBITDA desça cerca de 2% por ano, em média, nesse período, e o RAB estável nos 3.500 ME.

Esse plano prevê também um cortar no investimento para uma média anual de 175-200 ME em 2015-2018, face aos cerca de 300 ME ano em 2007-2014.

A gestora de redes elétricas planeia ainda investir até 900 ME de 'entreprise value' em projetos internacionais.

No regime regulatório para 2015-2017, a remuneração da transmissão de eletricidade pela REN está indexada à taxa das obrigações da República a 10 anos, que caiu no ano passado para mínimos históricos com o programa de compra de dívida do Banco Central Europeu (BCE).

As ações fecharam a subir 0,43% para 2,79 euros.