Os depósitos do BCP aumentaram mais de mil milhões de euros só no terceiro trimestre deste ano, segundo as contas até setembro divulgadas este domingo pelo banco.

BCP reduz prejuízos nos primeiros nove meses do ano

BCP: mais 500 trabalhadores vão sair do banco

No final de setembro, nota a Lusa, os depósitos de clientes ascendiam a 49.638 milhões de euros, um valor que significa que foram depositados pelos clientes mais 1.175 milhões de euros no terceiro trimestre, período em que ocorreu o resgate do BES e a criação do Novo Banco.

Nas contas do BCP referentes ao primeiro semestre do ano, o banco tinha 48.463 milhões de euros em depósitos no final de junho.

O BCP divulgou hoje um prejuízo de 98,3 milhões de euros entre janeiro e setembro, abaixo do prejuízo de 597,3 milhões de euros em igual período de 2013.

Quanto ao crédito, na atividade consolidada caiu 3,6 % para 57,9 mil milhões de euros. Em Portugal, o recuo foi de 3,9% para 44,6 mil milhões de euros, sem contar com a rubrica «anulações e vendas».

O BCP fechou ainda setembro com um rácio de transformação depósitos em crédito de 111%, abaixo dos 120% recomendados.

Quanto às imparidades de crédito (líquidas de recuperações), estas subiram para 874,5 milhões de euros no final de setembro. O aumento deveu-se aos 313,5 milhões de euros que tiveram que ser contabilizados em resultado do exercício de revisão de ativos realizado pelo Banco Central Europeu, que hoje foi divulgado e que levou o BCP a antecipar os resultados dos primeiros nove meses do ano.

Quanto a outros indicadores, em termos homólogos, o produto bancário do BCP melhorou 464,7 milhões de euros para 1.722 milhões de euros, com a margem financeira a crescer 177,2 milhões de euros para 791 milhões, «repercutindo já o impacto associado ao reembolso antecipado dos instrumentos financeiros híbridos subscritos pelo Estado português (CoCo), no montante de 2.250 milhões de euros», sublinhou a o banco em comunicado.

As comissões também subiram, 11,5 milhões de euros para 506,2 milhões, mas o destaque vai para os outros proveitos operacionais, que quase triplicaram para 424,8 milhões de euros.

Os custos operacionais melhoraram para 857,6 milhões de euros, a quase totalidade graças aos custos com pessoal, que caíram 25,9 milhões de euros.

O banco liderado por Nuno Amado tinha em setembro 8.266 trabalhadores em Portugal, menos 437 do que há um ano atrás. Só no terceiro trimestre saíram 85 pessoas e mais deverão continuar a sair, uma vez que o plano de reestruturação acordado com Bruxelas prevê a redução do número de trabalhadores em Portugal para 7.500 até final de 2017.

Nas operações internacionais, o BCP registou uma melhoria dos resultados, com lucros de 117,8 milhões de euros na Polónia, 64,6 milhões de euros em Moçambique e 37,3 milhões de euros em Angola.