A Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) teve lucros de 20,4 milhões de euros até setembro deste ano, o que compara com os prejuízos de 67,5 milhões de euros no mesmo período de 2016, divulgou esta terça-feira o banco.

Nos primeiros nove meses do ano, o banco, que pertence ao grupo Montepio, conseguiu um produto bancário de 380 milhões de euros, mais 54% do que no mesmo período de 2016, com a margem financeira a subir 13,4% para 202,1 milhões de euros, o que o banco atribui à "redução dos custos de financiamento, nomeadamente dos custos dos depósitos a prazo e da dívida emitida".

Também as comissões líquidas aumentaram, neste caso 19% para 83,9 milhões de euros.

A contribuir para os resultados estiveram ainda os custos operacionais, que desceram 17,6% para 206,8 milhões de euros, com os custos com pessoal a descerem 24% para 126,6 milhões de euros. Contudo, é de referir que em 2016 o banco teve mais custos com pessoal relativos a programas de saídas de trabalhadores.

Rentabilidade positiva, melhoria significativa em termos de resultado e, chamo à atenção, o terceiro trimestre consecutivo em que a Caixa Económica tem resultados positivos, de acordo com o plano estratégico apresentado em 2015", disse hoje o presidente do banco, Félix Morgado, na apresentação aos jornalistas dos resultados até setembro.

Do lado do balanço, os depósitos no Montepio fixaram-se em 11.879 milhões de euros, uma redução de cerca de 2,6% face a setembro de 2016 e 4,7% face a dezembro último.

Quanto ao crédito a clientes (bruto), este recuou para 14.610 milhões de euros, menos 3,5% face a setembro de 2016 e 2,8% em relação a dezembro do ano passado.

As imparidades (provisões) para crédito registaram um recuo face a setembro de 2016 em 11% para 106,2 milhões de euros, enquanto o rácio de crédito em risco foi de 15,2% (o mesmo valor de final de 2016 e abaixo dos 15,6% de setembro do ano passado).

A CEMG tinha, em setembro, 3.610 trabalhadores, mais 22 do que no final do ano passado. Já no total do grupo, eram 3.817 os funcionários, mais nove do que em dezembro passado.

Félix Morgado deu hoje indicações de estabilidade do quadro de efetivos, isto depois das reduções de funcionários levadas a cabo nos últimos anos, referindo mesmo que o banco está num processo de “rejuvenescimento” de pessoal.

Em termos de balcões, o banco tinha 325 em Portugal, menos dois do que em dezembro último, e na rede internacional (em que se inclui Finibanco Angola e BTM de Moçambique) são 40 os balcões, mais sete do que no final de 2016.

O Finibanco Angola deu lucro de 9,7 milhões de euros nos nove primeiros meses deste ano e o BTM de 142 mil euros. Já o banco de Cabo verde deu prejuízo de 32 mil euros.

Félix Morgado disse hoje que é objetivo da sua equipa fazer a "desconsolidação das operações em Angola e Moçambique", mas admitiu que é um processo "complexo".

Para o fazer, o gestor falou em várias opções, desde alienação dessas operações, a criação de uma ‘holding' ou fusões, mas escusou-se a revelar mais pormenores.

Quanto a Cabo Verde, disse que é uma "operação instrumental que pode vir a ser descontinuada".

Sobre o futuro, Félix Morgado disse que o Montepio está a avaliar oportunidades que possam surgir no mercado financeiro, nomeadamente com a entrada em vigor de nova legislação.

Por fim, o banco Montepio fechou setembro com um rácio de liquidez de 145% e um rácio de capital CET1 de 13% e rácio de capital total de 13,2%.