Mais de 42% dos estrangeiros entrevistados numa investigação académica em Portugal, realizada este ano, afirmaram que tem um rendimento mensal entre o salário mínimo (505 euros) e mil euros.

No estudo “O impacto da Crise Económica sobre as Condições de Vida e Dinâmica de Inserção Laboral dos Imigrantes em Portugal”, 42,2% dos estrangeiros entrevistados declararam que auferem um rendimento global mensal entre o salário mínimo e mil euros.

O estudo, que será lançado em 2016, foi coordenado pela investigadora Alina Esteves, que apresentou hoje os resultados nas Jornadas do Observatório das Migrações, na Fundação Gulbenkian.

Pouco mais de 15% dos entrevistados vivem mensalmente com menos de um salário mínimo e 30,2% com o salário mínimo. O estudo indicou ainda que a maior parte dos inqueridos vive do trabalho dependente e que o salário é a sua principal fonte de rendimento.

A investigação teve o seu trabalho de campo realizado entre fevereiro e junho de 2015, na área metropolitana de Lisboa (537 inqueridos), Odemira, no Alentejo (65) e Algarve (80).

Foram consideradas no estudo as comunidades mais representativas em Portugal, nomeadamente do Brasil, dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), ucraniana, moldava e algumas nacionalidades asiáticas.

Nestas três regiões está concentrada 70% da população estrangeira em Portugal, segundo Alina Esteves.

De acordo com o estudo, a taxa de desemprego é muito diferenciada entre os cidadãos estrangeiros e nacionais, apresentando os primeiros valores sistematicamente mais altos, tendo sido de 13,5% em 2003 para os estrangeiros e 6,1% para os portugueses.

Em 2014, os valores do desemprego eram de 22,3% para os cidadãos estrangeiros e 13,7% para os portugueses. Os trabalhadores mais recentes no país apresentam taxas mais baixas comparativamente aos mais antigos, pois são frequentemente menos exigentes quanto às condições contratuais e laborais.

Quanto à evolução do número de estrangeiros em Portugal, tem-se observado uma redução da sua presença (de um valor máximo de 454.191, em 2009, para 395.195, em 2014) devido à combinação de vários motivos, como o aumento dos fluxos de saída dos migrantes de longa e curta duração (re-emigração ou retorno ao país de origem), diminuição dos fluxos de entrada (quase 73 mil em 2008 para pouco mais de 35 mil em 2014), além da aquisição da nacionalidade portuguesa (123.801 aquisições entre 2008 e 2012).

A investigadora Alina Esteves referiu ainda que muito poucos emigrantes vivem de subsídio de desemprego.

Apesar das adversidades, 61,1% dos inqueridos afirmaram que estão melhor hoje do que quando chegaram a Portugal e 58,7% admitiam que estão melhor hoje do que se tivessem ficado no país de origem.

Para vencer as dificuldades e o desemprego, os estrangeiros podem recorrer a duas estratégias, segundo o estudo.

A primeira estratégia é optar por permanecer em Portugal, contando com poupanças, ajuda da família e apoio social formal, já a segunda envolve mobilidade geográfica, quando os estrangeiros saem para trabalhar em outros países.

Os autores do estudo são investigadores do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa e entre eles estão Ana Estevens, Jorge Malheiros, Anselmo Amílcar, Jennifer McGarrigle, Luís Moreno, Maria Lucinda Fonseca e Sónia Pereira.

A investigação foi financiada pelo Fundo Europeu para a Integração de Nacionais de Países Terceiros (FEINPT).