Entre os prejuízos anunciados no final de março e as notícias que se seguiram sobre o Montepio, começou a saída de depósitos e resgates na Associação Mutualista.
 
Nos últimos dois meses, foram levantados 600 milhões de euros dos cofres do banco. É um valor confirmado pelo próprio Montepio e que representa mais de 4% do total depositado.
 
No final do primeiro trimestre, havia 14 mil e 300 milhões de euros de depósitos de clientes, montante que até tinha crescido 2,7% face ao primeiro trimestre de 2014.

Editor de Economia da TVI explica a real situação do Montepio
 
E não é só do banco que o dinheiro está a sair. Também a Associação Mutualista Montepio Geral tem sido alvo de resgates de aplicações por parte de alguns dos mais de 600 mil associados.
 
Nas últimas semanas, esses regates totalizaram 218 milhões de euros, uma situação que fonte do banco assume ser fora do normal.
 
A 12 de maio, o presidente do banco e do grupo, António Tomás Correia, reconhecia na TVI a “preocupação” de alguns clientes, mas deixava garantias, dizendo que os clientes podiam estar “tranquilos”.
 
Para justificar os 600 milhões em falta nos depósitos, o Montepio explica que 100 dizem respeito a clientes de retalho particulares, que por vezes gastam o dinheiro antes de o receberem.
 
Os restantes 500 milhões foram retirados por grandes clientes e aqui o banco faz referência a levantamentos da Segurança Social para efetuar pagamentos que normalmente são repostos antes do final do mês.
 
Nos últimos dois meses, foram muitas as noticias relacionadas com o Montepio: as perdas de 140 milhões de euros ligadas ao Grupo Espírito Santo, a separação de lideranças entre o banco e a Associação Mutualista imposta pelo Banco de Portugal e uma auditoria especial do supervisor, que detetou deficiências nos procedimentos e controlo interno entre o período de 2009 e 2012.
 
No meio deste processo, o Montepio tem em curso um aumento de capital de 200 milhões de euros, destinado a investidores institucionais, que tem gerado polémica.
 
A TVI sabe que o banco prepara-se para alargar o reforço dos seus captais próprios até 620 milhões de euros.