O dinheiro do resgate internacional que está reservado aos bancos pode vir a ser usado para atenuar o défice. A opção tem sido afastada por Bruxelas, mas esta semana houve uma alteração no discurso, e a possibilidade está agora em cima da mesa, pelo menos no caso grego, escreve o «Jornal de Negócios».

«Depois de todas as operações chave (previstas para os bancos gregos) serem concluídas com êxito, talvez exista uma almofada que potencialmente poderá ser usada para reduzir o hiato das necessidades de financiamento», afirmou esta quarta-feira o porta-voz do comissário europeu para os Assuntos Económicos e Monetários, Olli Rehn. Foi a primeira vez que esta possibilidade foi assumida.

Confrontado pelo «Jornal de Negócios», o porta-voz, Simon O¿Connor, sublinhou que a situação da Grécia não é comparável à de Portugal, pelo que não faz sentido extrapolar, ou seja, assumir que, aberto um precedente destes na Grécia, isso poderia vir também a ser aplicado em Portugal.

É que, no caso da Grécia, neste momento, os recursos assegurados pela troika já não cobrem as necessidades de financiamento do país até 2014, o que levanta problemas à execução das transferências prometidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), uma vez que a instituição apenas vai libertando as tranches quando tem garantias de que as necessidades de financiamento do país apoiado estão plenamente asseguradas para, pelo menos, os 12 meses seguintes.

No caso português, recorde-se, o resgate internacional contempla um envelope de 12 mil milhões de euros destinados à banca, foram usados apenas 5,6 mil milhões de euros nos processos de recapitalização, o que deixa uma hipotética almofada de 6,4 mil milhões de euros.