O presidente do Conselho Económico e Social (CES), Silva Peneda, considerou esta terça-feira que o alegado sucesso do programa de ajustamento financeiro não corresponde à verdade e defendeu a necessidade de um compromisso para melhorar a situação do país.

«Sobre a ideia de que o programa de ajustamento é um caso de sucesso, diria que essa ideia não pode ser aceite porque não corresponde à verdade», disse Silva Peneda na abertura do Fórum das Políticas Públicas 2014.

O antigo ministro do emprego de Cavaco Silva considerou que a ideia de sucesso do programa de ajustamento financeiro em curso «é muito discutível» porque se baseia em «algum crescimento económico e num ligeiro decréscimo do desemprego» registados recentemente.

Segundo Silva Peneda, o critério mais adequado para avaliar o sucesso do programa seria comparar as metas estabelecidas inicialmente e os resultados obtidos.

O presidente do CES afirmou ainda que o programa de ajustamento agravou as desigualdades em Portugal, destruiu a classe média e a reforma do Estado confinou-se à redução da despesa, através de cortes aplicados aos funcionários públicos e pensionistas.

Defendeu que uma política económica para o futuro do país tem de «assumir a rotura com o anterior modelo económico» e apostar em políticas que gerem confiança, «o que só será conseguido com um forte compromisso entre as forças políticas e sociais».

«No CES temos consciência de que após uma crise profunda como esta que estamos a atravessar nunca mais voltaremos à situação de partida, estamos a atravessar uma fase de transição e, para melhorar a realidade, só o conseguiremos com um forte compromisso. Ignorar isto é miopia política», disse Silva Peneda.