Os ministros das Finanças da zona euro, reunidos esta segunda-feira em Bruxelas, assinalaram o fim do programa de ajustamento irlandês aprovando a última tranche de empréstimo e saudando a Irlanda por voltar a estar novamente «sobre os seus próprios pés».

O fórum de ministros da zona euro (Eurogrupo) adotou uma declaração na qual confirma a adoção da 12.ª e última revisão do programa irlandês, felicitando de novo as autoridades irlandesas pelo sucesso da implementação do seu programa e prestando tributo ao povo irlandês pelos sacrifícios feitos.

Segundo a Lusa, à parte das felicitações, o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, e o diretor do fundo de resgate, Klaus Regling, lembraram todavia que a ligação entre Dublin e os seus credores não termina aqui, pois haverá lugar à «vigilância pós-programa» - prevista para todos os países que solicitam ajuda externa - e monitorização da capacidade de Dublin para pagar até ao final o empréstimo.

O comissário Rehn precisou que essa vigilância pós-programa, «que não envolve novas condições», incluirá a deslocação de uma missão ao país que esteve antes sob assistência - no caso a Irlanda, mas posteriormente o mesmo aplicar-se-á a Portugal - «duas vezes por ano».

Depois da Irlanda, que em novembro passado anunciou a opção pela chamada «saída limpa» do seu programa, ou seja, o regresso aos mercados sem recurso a uma linha de crédito cautelar e na data originalmente prevista, o corrente mês de dezembro, Portugal deverá ser o próximo a concluir o respetivo programa de ajustamento, o que está previsto para meados de 2014.

Num encontro em que Portugal esteve representado por Maria Luís Albuquerque - que hoje não prestou declarações -, a situação do programa português desta vez não foi abordado, dado estar em curso a décima revisão do programa, com uma missão da troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) em Lisboa desde a semana passada.

Os ministros das Finanças voltam a reunir-se na terça-feira, mas num encontro alargado aos 28 Estados-membros (Ecofin), e que deverá ser longo, já que o objetivo declarado da reunião é alcançar «grandes avanços» em matéria de união bancária, e designadamente em torno do mecanismo único de resolução de bancos.