A presidente da Reserva Federal, Janet Yellen, afirmou esta terça-feira que o mercado laboral norte-americano ainda mostra debilidade cíclica e a inflação continua a cair, o que torna improvável um aumento das taxas de juro antes de junho.

Yellen, que falava numa comissão do Senado, disse que «é pouco provável que as condições económicas permitam um aumento» das taxas de juro «nas próximas duas reuniões» do comité de política monetária do banco central norte-americano, o que faz com que isso só possa acontecer em junho.

«Até lá, o comité vai mudar a sua mensagem de orientação monetária» que considera que a Reserva Federal terá «paciência» antes de um aumento dos juros.

Mas, isso não quer dizer que a Fed aumente «necessariamente» as taxas de juro nas próximas reuniões, insistiu a presidente da Fed. O banco central dos Estados Unidos mantém as taxas de juro próximas de zero desde finais de 2008.

«Ainda é necessário um grau adequado de flexibilidade monetária para apoiar a melhoria do emprego e ajudar a inflação a aproximar-se de 2%», indicou Yellen.

A líder do banco central norte-americano afirmou que a taxa de desemprego caiu dos 10% em que estava em finais de 2009 para os atuais 5,7% e que o ritmo de criação de postos de trabalho passou para 280 mil por mês no segundo semestre de 2014 quando estava em 240 mil na primeira metade do ano, assinalando que houve «progressos consideráveis» no mercado de trabalho «em vários planos».

Yellen apontou ainda a diminuição nos desempregados de longa duração e o recuo do emprego a tempo parcial, mas considerou que o aumento dos salários tem sido «fraco».

Sobre a inflação, que tem sido fraca, principalmente após a descida dos preços da energia, Yellen repetiu que há o risco de descer ainda mais no curto prazo.

Mas, o comité de política monetária da Fed espera que a médio prazo a inflação comece a aproximar-se do objetivo de 2% defendido pelo banco central. A inflação está atualmente em 0,8%, segundo o índice PCE, o mais seguido pela Fed.

Sobre a conjuntura externa, Yellen reconheceu que o abrandamento do crescimento na China e a fraca retoma acompanhada por uma inflação «muito fraca» na Europa pode representar alguns riscos para o crescimento norte-americano, mas sublinhou que a atividade económica na zona euro pode reagir «melhor do que o previsto» aos estímulos monetários dos bancos centrais.