Os proprietários e inquilinos alertaram esta segunda-feira que continuam à espera de um contato do Governo para discutirem o futuro modelo de um subsídio de renda para famílias carenciadas, enquanto a tutela garante que as «reuniões estão em curso».

Em causa está o modelo a aplicar após o período transitório de cinco anos, que limita o aumento das rendas nas situações de carência económica, e que o Governo informou ir debater com as associações.

Pela Associação Lisbonense de Proprietários, Luís Menezes Leitão disse esta segunda-feira à agência Lusa estar por agendar o encontro e sublinhou ser «importante que acabe imediatamente o hábito que existe, em Portugal, de serem os senhorios a fazerem a função de segurança social que compete ao Estado».

Para o subsídio de renda, o dirigente da ALP defendeu um modelo com «acesso facilitado e sem grandes questões burocráticas».

«A última coisa que nós queríamos é que houvesse daqui a uns anos uma discussão entre os inquilinos e os senhorios por o Estado ter recusado acesso aos apoios que prometeu», afirmou.

Menezes Leitão recordou que os valores das rendas estão definidos e que os inquilinos comprovam já as dificuldades económicas com a apresentação do Rendimento Anual Bruto Corrigido.

«O Estado deve pagar automaticamente a diferença entre o valor patrimonial do prédio e o que for fixado pela carência económica dos inquilinos», resumiu à Lusa.

O presidente da Associação Nacional de Proprietários, António Frias Marques, recordou que na reforma do setor se previu uma «resposta social, nomeadamente através de subsídio de renda, de habitação social ou de mercado de arrendamento, nos termos e condições a definir em diploma próprio».

Referindo também a falta de contacto pela tutela, a ANP já sugeriu um subsídio cujo valor anual seja considerado no IRS do senhorio, «como despesa do imóvel, sendo integralmente dedutível, se suportável, ao rendimento global do contribuinte».

Para a ANP, a hipótese de entregar o subsídio ao arrendatário seria «desaconselhável», porque tratando-se «maioritariamente de pessoas idosas e sem conhecimentos de gestão, essa solução só lhes traria incómodos, preocupações e confusões, de todo evitáveis», enquanto a entrega aos senhorios «obrigaria o Estado à movimentação de dinheiro vivo e poderia fomentar eventuais situações de fraude».

Sobre o eventual valor a atribuir, a associação prefere o «equivalente a 1/15 (6,66 %) do Valor Patrimonial Tributário (VPT) do imóvel, considerado o rendimento justo», porque indexar ao RABC poderia «manter artificialmente as rendas baixas», enquanto uma renda livre «significaria a falência do Estado».

António Machado, secretário-geral da Associação dos Inquilinos Lisbonenses, informou que a instituição não «tem qualquer texto, nem qualquer convite para reunião» por parte do Governo e que numa reunião será defendida uma «posição que proteja os inquilinos que não tiverem recursos para pagarem as rendas, de modo a não serem despejados».

Fonte do Ministério do Ordenamento do Território afirmou à agência Lusa que as «reuniões estão em curso».
A 07 de janeiro, o Ministério do Ordenamento do Território anunciou reuniões para recolher contributos para a definição da «resposta social» a dar após o período transitório que limita a subida dos valores das rendas.

Antes, em novembro 2014, o ministro Jorge Moreira da Silva reafirmou que o Governo iria avançar com um «modelo de proteção social, assente em subsídio de renda» e que haveria uma proposta apresentada até ao final do ano.