O secretário de Estado da Energia, Artur Trindade, garantiu hoje analisar todas as propostas de cortes nas empresas do setor «com fundamento técnico», mas lembrou que o Governo anunciou medidas que ainda estão a ser concretizadas.

Questionado sobre a carta que 18 personalidades enviaram ao primeiro-ministro a pedir mais cortes nas rendas da EDP, Artur Trindade disse desconhecer o conteúdo do documento, contraponto que analisará «todas as propostas com fundamento técnico».

«Eu também peço sempre mais cortes, mas acabamos de anunciar cortes que estamos a concretizar», declarou, no final da divulgação dos resultados da conclusão da segunda fase de privatização da REN.

Em declarações aos jornalistas, o governante destacou que «houve cortes em várias atividades do setor que afetam negativamente todas as empresas, incluindo a que referiu» [EDP].

«Houve várias medidas no sentido de diminuir a remuneração às empresas que fazem geração de energia e que têm ativos na área. Tudo no sentido de diminuir a remuneração das empresas, beneficiando ou o orçamento ou os consumidores. É a primeira vez que um Governo cortou as remunerações às empresas», declarou.

Ainda assim, admitiu que os signatários da referida carta poder ter «algum dado novo».

O antigo ministro da Indústria e Energia Mira Amaral é o primeiro signatário da carta que 18 académicos, gestores e empresários enviaram ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, a pedir que corte mais nas rendas da EDP.

Segundo o jornal I, as 18 personalidades avisam que os cortes feitos na energia não chegam para travar défice e baixar preços e pedem mais, considerando que Portugal deve seguir o exemplo de Espanha e aplicar cortes mais agressivos nas rendas e custos do sector elétrico.

Entre os signatários está Henrique Gomes, ex-secretário de Estado da Energia, que se demitiu em 2012.