Ano novo, contas novas. Ou, no mínimo, as antigas, mas com alguns aumentos. A TVI24 fez a lista das várias componentes a que o orçamento familiar de qualquer português não pode fugir, e há subidas a considerar.

Rendas

As rendas vão aumentar 1,12% em 2018. A opção de atualizar cabe ao senhorio e depende de critérios como o ano de celebração do contrato de arrendamento e a data da última atualização da renda.

Para saber que valor de renda pode vir a pagar, multiplique o montante atual por 1,0112. Por exemplo: a uma renda de 500 euros somam-se 5,60, passando a totalizar 505,60 euros.

Os contratos destinados a habitação assinados depois de 19 de novembro de 1990 e os não habitacionais posteriores a 5 de outubro de 1995 estão abrangidos pelo aumento. A atualização produz efeitos a partir da data de aniversário do contrato e só pode ser aplicada sobre rendas que permanecem inalteradas há, pelo menos, um ano.

Se entender, aceda ao simulador de atualização das rendas da Deco para estimar o novo valor.

Prestação da Casa

Para calcular a prestação da casa, é tida como base a média da cotação da Euribor. Esta é a razão pela qual a Euribor sobe num dia, ou desce noutro, estes movimentos não têm efeitos imediatos na prestação da casa. Se quiser calcular a prestação da casa, terá de fazer a média aritmética das cotações diárias e dividir pelo número de dias. O valor a que chegar é a média mensal desse mês. 

Em Portugal, 90% dos contratos de crédito à habitação usam taxa de juro variável, sendo a Euribor a seis meses o indexante mais usado, seguido da taxa a três meses. Terá, por essa razão, de saber a periodicidade da sua prestação e, para isso, basta saber qual o indexante. Se for a Euribor a três meses, significa que o seu contrato é revisto trimestralmente. Se for a Euribor a seis meses, apenas de seis em seis meses é revisto o contrato. Se for a Euribor a 12 meses, revisão será anual. No crédito à habitação tem sempre efeito a média mensal do mês anterior ao da revisão.

De qualquer modo, é bom ter presente como é formada a prestação mensal que paga ao banco e nunca por de parte uma renegociação, ou mudança para outro banco, caso seja mais favorável e lhe permite poupar.

Luz

O preço da eletricidade vai descer, mas não para a maioria das famílias. O alívio acontecerá apenas para os consumidores domésticos do mercado regulado. Ao contrário de outros anos, ficou estipulado que a tarifa de venda a clientes finais, em Baixa Tensão Normal (BTN) desça 0,2% em 2018.

Porém, no caso do mercado livre, onde estão mais de quatro milhões de pessoas, haverá aumentos. É que a EDP Comercial decidiu atualizar os preços em 2,5%. 

Os consumidores com tarifa social beneficiarão de um desconto de 33,8% sobre as tarifas de venda a clientes finais que foi estabelecido por despacho do Governo, sobre as tarifas de venda a clientes finais.

Gás

Os preços do gás não sofrem alteração a 1 de janeiro. Qualquer mudança só será anunciada a 15 de junho. É que a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos estipula as tarifas anualmente, mas de julho a julho de cada ano.

Água

As tarifas da água vão manter-se no próximo ano, porque “já estão aprovadas”. Quem o disse, foi o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, que admitiu no entanto que o preço da água possa vir a subir. É o que vai acontecer aos clientes da EPAL.

O abastecimento, saneamento e resíduos sólidos urbanos pesam na fatura mensal da água. Para conhecer os detalhes do que paga pelo consumo de 10 ou 15 metros cúbicos mensais, pode aceder ao mapa facultado pela Deco aqui.

Se a sua família tem poucos rendimentos, talvez esteja abrangida por um desconto na fatura da água em vigor na maioria dos municípios. Por isso, o melhor é dirigir-se à junta de freguesia da sua área de residência.

Telecomunicações

A 1 de janeiro não estão previstas quaisquer mudanças no valor dos tarifários, mas não se entusiasme. Esteja atento porque é previsível que haja subidas em 2018 e não se esqueça que terá que se avisado com um mês de antecedência.

Fonte da Vodafone disse à TVI24 que “à data, não está prevista qualquer atualização de preços.”

Já a MEO, referiu que “a partir de 1 de fevereiro de 2018, irá proceder-se à alteração de condições apenas em alguns tarifários móveis pós-pagos, passando estes também a incluir o dobro dos minutos e dos sms que lhes são inerentes, e que poderão ser usados a nível nacional ou em roaming, não havendo qualquer alteração de preços de serviços fixos MEO (tv, internet e telefone fixo, convergentes e não convergentes).”

A NOS não quis, para já, fazer comentários.

Transportes públicos

Há subidas. A atualização dos preços das tarifas de transporte público, que entram em vigor no início do próximo ano, limita a subida média a 2% e não pode ultrapassar os 2,5%.

Exemplos:

Em Lisboa: passe “Navegante Urbano Normal”, que custa 36,20 euros, deverá passar a custar 36,90 euros

No Porto: assinatura mensal para a rede geral STCP, que custa 47,40 euros, deverá subir para até 48,35 euros.

Já o preço atualmente praticado dos cartões de suporte dos títulos de transporte das Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, designados por "Lisboa Viva", "Viva Viagem/7 Colinas" e "Andante", fica igual.

Portagens

O preço vai subir, mas não em todas: os aumentos afetam erca de um terço (37%) da rede de autoestradas. Ou seja, a grande maioria (63%) dos troços continuará a cobrar a mesma taxa, decorrente da inflação, que foi de 1,4% em outubro, o mês que serve de referência para o cálculo.

Na maioria dos casos, o aumento é de cinco cêntimos para veículos da categoria 1, mas há tarifas que vão subir mais. É o caso da ponte Vasco de Gama, com uma atualização de 15 cêntomimos e da ponte 25 de Abril, onde os aumentos chegam aos 10 cêntimos.

Nas concessões da Brisa, é a viagem Lisboa-Porto na A1 a que mais encarece, passando a custar mais 45 cêntimos do que até aqui.

A fórmula de cálculo do aumento do preço das portagens, em cada ano, está prevista no decreto-lei n.º 294/97 e estabelece que a variação a praticar tem como referência a taxa de inflação homóloga, sem habitação, no continente conhecida até dia 15 de novembro, data em que os concessionários devem comunicar ao Governo as suas propostas de preços.

A legislação atualmente em vigor define também que a atualização das taxas de portagens deve ser feita em valores múltiplos de cinco cêntimos, o que implica o arredondamento das taxas de portagem para o múltiplo de cinco cêntimos mais próximo.

Depois de três anos em que as taxas de portagem praticamente não sofreram atualizações, em 2017 houve algum impacto nos preços para os utilizadores das autoestradas.

Combustíveis

O preço dos combustíveis tem subido, e isso tem vindo a pesar mais nas contas mensais das famílias portuguesas. A boa notícia é que o aumento não vai ser muito superior ao que já é, pelo menos contando com os dados que temos hoje em cima da mesa e com o barril de petróleo a contar entre os 63 e os 65 dólares no mercado de Londres. 

Se gasta, em média, 100 euros por mês, é pouco provável que venha a gastar mais 30 ou 50 euros nos próximo meses, só mesmo se o custo o petróleo aumentasse cerca de 40 a 50%, o que os analistas não acreditam.

Já o Imposto Sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos vai aumentar a partir desta segunda-feira.

Pão

De norte a sul do país, o pão vai mesmo ficar mais caro em 2018. A confirmação foi dada à TVI24 pelo presidente da assembleia-geral da Associação de Industrias de Panificação do Norte, César Ferreira.

O responsável fala de cerca de “um cêntimo a mais em cada carcaça” no norte de Portugal continental. É um aumento de cerca de 10% no caso do norte do país.

Recusou, no entanto, comentar a possibilidade desta subida chegar a 20% no sul do país, mas recordou que “há uma diferença muito grande entre o preço por unidade no sul (cerca de 22 a 23 cêntimos) e no norte (entre 10 e 12 cêntimos).”

Leite

Os produtores de leite esperam uma estabilização do setor em 2018, que não se deverá traduzir em grandes alterações a nível dos preços, disse à Lusa o secretário-geral da Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite (Fenalac).

A partir do dia 1 de janeiro os produtores passarão a estar obrigados a incluir um selo que certifique a origem do leite utilizado nos produtos lácteos, não se prevendo para já as implicações dessa medida.