A UGT e a CGTP insurgiram-se contra os cortes na despesa do Estado recomendados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no relatório sobre a décima avaliação ao Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF).

FMI quer mais 2 mil ME em medidas permanentes para 2015

«O relatório que foi publicado não traz nada de novo. Infelizmente, só agudiza as medidas de austeridade e não vem trazer uma novidade excecional em relação à política do FMI», afirmou o secretário-geral da UGT, Carlos Silva.

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O dirigente sindical, que falava aos jornalistas à entrada da reunião de concertação social destinada a preparar a décima primeira avaliação da troika a Portugal, considerou que «não há margem para mais cortes, mas o Governo é quem vai decidir».

«Nós entendemos que aquilo que a troika vem exigir é completamente insustentável e inaceitável do ponto de vista dos direitos sociais», afirmou Carlos Silva.

Segundo o responsável, «independentemente [do facto] de alguns indicadores económicos poderem ser suscetíveis de dar algum ânimo, a verdade é que as pessoas não o sentem».

O Governo e os parceiros sociais estão hoje reunidos desde as 15:10 para preparar a décima primeira avaliação da troika que começa na quinta-feira.

Também o secretário-geral da CGTP falou aos jornalistas à entrada deste encontro, que conta com a presença da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, do ministro da Solidariedade e do Emprego, Pedro Mota Soares, e do secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, Carlos Moedas.

Num comentário ao relatório do FMI conhecido esta manhã, Arménio Carlos declarou que «para o FMI estas medidas de austeridade são positivas, mas não chegam, e mais uma vez continua a defender a redução dos salários, a flexibilização da legislação laboral, mas não só».

«Basta olharmos para os Orçamentos do Estado e para as discussões que têm sido feitas para percebermos que para 2015 no Orçamento do Estado (OE) já está previsto um corte na ordem dos 2.600 milhões de euros, nomeadamente, nas funções sociais do Estado, na Saúde e na Segurança Social», disse Arménio Carlos.

No entender do responsável, «é evidente para todos que os cortes apresentados como provisórios se vão tornar definitivos e a única certeza que temos é que a troika tem de sair de Portugal».

No relatório sobre a décima avaliação ao Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF), hoje divulgado, o FMI afirma que, apesar dos desafios legais, «as autoridades [portuguesas] estão determinadas a avançar com a reforma da administração pública para ancorar o seu ritmo de consolidação orçamental no médio prazo».