O ministro da economia, Miguel Morais Leitão, anunciou esta quinta-feira o prolongamento do grupo de trabalho que está a acompanhar o impacto da fraude da Volkswagen, que deverá ter na próxima semana um relatório preliminar sobre a matéria.

Morais Leitão deu a informação em conferência de imprensa, no final da terceira reunião do grupo de trabalho criado pelo Governo para assegurar, durante um mês, a monitorização das ações decorrentes da fraude da Volkswagen e delinear um plano de ação.

"O grupo de trabalho vai continuar para poder fazer o ponto da situação e na próxima semana vamos ter um relatório preliminar com uma análise integrada, que inclua a vertente ambiental, fiscal e a salvaguarda dos direitos dos consumidores", disse.

Segundo o ministro, Portugal irá propor no Conselho Europeu para a Competitividade de segunda-feira que a comissão europeia assuma um papel mais ativo nesta situação e na definição de um novo modelo de regulação.

Esta posição foi corroborada pelo ministro do Ambiente, que salientou a importância do impacto ambiental causado pela fraude da Volkswagen.

"À medida que vamos tendo mais informação vemos que não se trata apenas de um problema de qualidade do ar mas sim de alterações climáticas", disse Jorge Moreira da Silva.

O ministro referia-se às novas informações obtidas, que dão conta de que a fraude pode envolver emissões de CO2, que terão também implicações fiscais, em Portugal assim como noutros países europeus.

A Volkswagen já assumiu perante o governo português que se responsabiliza por todos os custos relacionados com este processo, ou seja, pelos impactos técnicos, ambientais e fiscais.

A 18 de setembro foram conhecidos publicamente os resultados de testes a emissões poluentes de viaturas equipadas com motores ‘diesel’ do grupo Volkswagen, relativamente às marcas Volkswagen, Audi, Seat e Sköda, concluindo-se pela existência de viaturas equipadas com um dispositivo que permite a manipulação de informação relativa a emissões poluentes.

O grupo alemão admitiu na altura a existência de 11 milhões de carros nestas circunstâncias, e em Portugal, de acordo com informação divulgada pela SIVA, representante das marcas Volkswagen, Audi e Sköda, estima-se que existam cerca de 94 mil viaturas afetadas, mais 23 mil da marca Seat, totalizando 117 mil veículos.

Entretanto, no início da semana o grupo alemão Volkswagen anunciou que uma investigação interna revelou “incoerências” relacionadas com emissões de dióxido de carbono em cerca de 800.000 veículos, o que pode custar à empresa aproximadamente 2.000 milhões de euros.

Na terça-feira, a Agência Ambiental norte-americana denunciou que a Volkswagen instalou dispositivos de manipulação de emissões poluentes em automóveis com motores 3.0, incluindo o Touareg 2014, o Porsche Canyenne 2015 e o Audi A6 Quattro 2016.

A instalação deste dispositivo tecnológico permitiu que estes veículos passassem nos testes poluentes, embora as emissões fossem nove vezes superiores ao permitido por lei.

O fabricante automóvel alemão terá instalado o dispositivo fraudulento para enganar os testes em modelos entre 2014 e 2016.