O Relatório de Estabilidade Financeira do Reino Unido foi apresentado esta terça-feira, numa altura crucial. O Banco de Inglaterra avisou que os riscos do Brexit já começam a surtir efeito. Daí o supervisor da banca ter decidido tomar algumas medidas, entre as quais cortar as exigências de capital aos bancos.

"Há evidências de que alguns riscos começaram a materializar-se. As perspetivas atuais para a estabilidade financeira do Reino Unido são de desafio"

De que forma está a economia do Reino Unido a ressentir-se do resultado do referendo? Há uma menor procura por imóveis comerciais, a libra está no nível mais baixo dos últimos 31 anos face ao dólar, cotando em 1,3115 dólares, as ações dos bancos caíram a pique, a confiança entre as empresas caiu drasticamente depois do referendo, a indústria de serviços está a crescer ao nível mais lento dos últimos três anos. Para além destas fraquezas económicas, a situação política está envolta em incerteza, com a demissão do primeiro-ministro, David Cameron.

O governador Mark Carney assegurou que o Banco de Inglaterra tem "um plano claro", de quatro fases, que já está a funcionar. 

No imediato, decidiu reduzir de 0,5% para 0% os fundos que os bancos devem ter para enfrentar momentos de turbulências, com o objetivo de canalizem esse dinheiro para estimular a economia.

Com esta medida, espera-se que os bancos consigam elevar a capacidade de empréstimos a famílias e empresas em 150 mil milhões de libras.

Conforme disse no próprio dia em que foram divulgados os resultados do referendo, o Banco de Inglaterra reafirma que está "pronto" para tomas outras medidas, que "garantam que os amortecedores de capital e de liquidez" necessários para apoiar a oferta de crédito e de apoio do funcionamento do mercado.

Carney acredita que o banco central terá de cortar as taxas de juro e, possivelmente, oferecer outro estímulo durante o verão para fazer face ao choque do Brexit.